Roçando nas garras negras
um grosso calculado imaginário permitido
te fosse verdade uma vez contada,
queimava junto sem tremer uma só corda
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Descrente
Tranca suas botas no porão que elas não te fazem mais bom uso do dom que bom que Deus pôde te dar
que Dele suas vísceras se fazem bonitas e coloridas e tudo fora com um significativo bater de palmas,
sua palmatória, minha dor,
minha exposição, teu sentimento
eu acho
você achando por tudo que Ele não foi capaz
Ele se deixando levar com um significativo bater de asas de um antigo pássaro ancestral
que nem desses ancestrais eu tomei o gosto
o gesto no batente
igual
igual
repito:
igual
igual
que Dele suas vísceras se fazem bonitas e coloridas e tudo fora com um significativo bater de palmas,
sua palmatória, minha dor,
minha exposição, teu sentimento
eu acho
você achando por tudo que Ele não foi capaz
Ele se deixando levar com um significativo bater de asas de um antigo pássaro ancestral
que nem desses ancestrais eu tomei o gosto
o gesto no batente
igual
igual
repito:
igual
igual
Frutífero inarmônico
Teu silêncio me quebra. E faz tanto tempo que nem me lembro mais. Como tudo foi e foi mas não adiantou e quebrou o que me aterrava firme e seguro. Nenhum mais esconderijo nenhum mais para descobrir depois só depois de achado saber que não estava em lugar algum. Mais que um peixe pedra podre na laje, um espírito carcomido devorando através de roupas e andando nas mesmas ruas que eu e você e junto sem nem se desconsolar ou se abater sobre algo que fosse mais talvez nem mais mas com certeza algo qual de importante como o espelho que se atira mil faces tonitruantes lamentosas. Foi tudo que não tinha certeza, não foi? Na minha casa deixei ela partir a pé: larguei suas ventosas tentaculares e pude cavar à vontade, sem me incomodar com o cachorro dos vizinhos sufocado no monte de terra que criava. E é, afinal, o fluxo da vida que no morro é mais aparente mas aqui no mar parece se perder pelos rostos bronzeados que escondem a macilência doentia do real caráter do ser. A casa que foi criada pela palavra deve ser mais do que o procurado pelo submerso navegante perdido; o lar que repousa dentro de nós e o amor eterno; OS DOIS os dois maiores preconceitos disso que atacamos frente à frente em campo aberto, sua mortalha cor-de-pele e impagável sobre a expressão sofrida é o que jaz molecularmente ativo nos céus que recobrem o esconderijo de polpa de arranha-céus proferidos, ah, proferidos que todos seríamos esmagados pela cobiça e luxúria que afinal é o problema para quem não tem barriga e não se cansa de se tocar, o nosso amor que é jaula que nos fere que deixa a carne à mostra e acalenta o fálico com um edredom de prepúcio que os judeus choram ao vê-lo no chão, espermeando sangrando destituido desse amarelão de vida. Que me diz de alguém que é mais que alguém que eu tomo por especial? O costume deixou nos tão familiares com nossa própria pessoa que esquecemos do velhinho cego e corcunda chamado Conosco, aquele que guarda um papagaio no fundo da casa e um cachorro fila preso nos dias de semana, aquele que deixou de ser para existir sabor?
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
sujo
quis
entender o que era a última vogal
de todos os cantos e lamentos
a última fatal que não poderia ser não desperdiçada
(assumir o mundo é sobriedade)
quis
escrever como riscar fósforos e por em chamas
como se a superfície atingida fosse mais que rídicula
entender o que era a última vogal
de todos os cantos e lamentos
a última fatal que não poderia ser não desperdiçada
(assumir o mundo é sobriedade)
quis
escrever como riscar fósforos e por em chamas
como se a superfície atingida fosse mais que rídicula
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Cuidado tenso ten
Suas doze vozes táo leves,
deixando escapar todos seus espacos
e o cabelo negro se deixando vencer
com correntes no pescoco, esqueceu seu lugar
e pediu por favor
para relembrar
Correndo o risco de todo seu pescoco
perfumado e generoso'
oferece tudo que pode com sobremesas
deixa de ser
com todos os interiores da memoria
com seu estupor de permissao agora
De leve deixado castrado de novo,
jovem,viv o, entregado ao osso.
Sempre vozes, fracas ou fortes.
Leve e levantado ao cambio fora de si.
E quando levantei fora de mim
sobre pus a vontade rejeitada sobre
medicos e o inferno
invernal logo e colocado dentre falas
astuciaqs e fraquice.
Suas maos se entregando
busacando a aceitacao de todas as outras vezes
seu corpo em vao
suas blusas machucadas no coracao
seu coracao em passarinhos cantantes
diversao em rimas.
Como poderia cantar grosso
sem saber os significados
Como sua barba toda aguentaria os chás
e dissesse nao uma vez que fosse
explodiria entao
Exasperando dentre logos
raios e forasz falsos junto a doencas
caro nas caras destres mal educadas
e machucadas pelo juvenil
despresado pela areia que aruinara seu corpo
'rijo e fora de si inundado pela emergencia forte e falsiforme
Todos os poros rindo e chorando
conforme o ritmo de cada mentira
cada passo escondido por detras do escuro que fora
em outro dia, fora em chuvas de outros dias
as letras arruinadas caindo em váo
dialogando por barulhos
eles nunca viram
porque nunca pudesse ve
Atras das mascaras ou de qualquer traco
de um pecado inocente e genetico
inundado pelo escuro traco da maldade
maldita e repudiada.
atras das mascaras sujas e loucas,
podres e verdadeiras como o rosto do mundo,
do homem e do genio.
sujo, podre,hoje, eu e voce.
Sozinho, buscando na mina imaginaria
o eterno pai beberráo perdido pela tempestade
do norte, do vinho roxo solitario
nao deixou suas cores somarem vidas
nunca deixou o vermelho natalino afetrar seu desempenho
tao fora do natural
de porcelana
quebra
Quem vai ser que aguentara
toda essa pressao do verdadeiro eu
do verdadeiro fraco sem falsas preposicoes
sempre longe de mim
a consciente conciencia logistica
logo esta fora nessa barriga
nessa voz'
nessa minuto prego preguejado retratado pelo louco despedacado
Seu pessoal deixado de fora ao lado direito da linha
o finalpossivel
toma a cadeira quebrada que te cai no instante do subito
quando descobrira
porque enterraste a ti mesmo
ao primeiro quando dito tragado
ao despedaco de quebras foliculares
nariz igual a corpo
sobre lembrancas de joao quem foi
e ele quando recusou seu proprio cheiro
percebeu
essencia era essencial perto do rosto sujo'
que nunca ofi e nuca sera
perto da intenca capciosa perto
da lagrima cumiciosa
rimitificada e perdida dentre os lados do rabo escuro
como o inferno solsticial.
Cada umidade malabarista
pedindo a vida mais do que deixaria
as pernas paradas, nem que para sempre
o w esquecido nunca lembrado
chora sozinho
se vanfgloria na unica singela memoria e orgulho
de permanecer
no solitario solitar
pecador na boia do tempo
sofre apenas pelo medo
de afundar e se espalhar por todos os lados
ao menos onde o sol nunca deixar de brilhar
(e daqui para frente sempre se acatara sem saber todos os feiticos)
Fogo errado quemiou desejo
se separou mas nunca esquece
monja de jogo sem tremedeira
uma vez por favor que seja brinque esquece vomito de sombra na sombra
deixando escapar todos seus espacos
e o cabelo negro se deixando vencer
com correntes no pescoco, esqueceu seu lugar
e pediu por favor
para relembrar
Correndo o risco de todo seu pescoco
perfumado e generoso'
oferece tudo que pode com sobremesas
deixa de ser
com todos os interiores da memoria
com seu estupor de permissao agora
De leve deixado castrado de novo,
jovem,viv o, entregado ao osso.
Sempre vozes, fracas ou fortes.
Leve e levantado ao cambio fora de si.
E quando levantei fora de mim
sobre pus a vontade rejeitada sobre
medicos e o inferno
invernal logo e colocado dentre falas
astuciaqs e fraquice.
Suas maos se entregando
busacando a aceitacao de todas as outras vezes
seu corpo em vao
suas blusas machucadas no coracao
seu coracao em passarinhos cantantes
diversao em rimas.
Como poderia cantar grosso
sem saber os significados
Como sua barba toda aguentaria os chás
e dissesse nao uma vez que fosse
explodiria entao
Exasperando dentre logos
raios e forasz falsos junto a doencas
caro nas caras destres mal educadas
e machucadas pelo juvenil
despresado pela areia que aruinara seu corpo
'rijo e fora de si inundado pela emergencia forte e falsiforme
Todos os poros rindo e chorando
conforme o ritmo de cada mentira
cada passo escondido por detras do escuro que fora
em outro dia, fora em chuvas de outros dias
as letras arruinadas caindo em váo
dialogando por barulhos
eles nunca viram
porque nunca pudesse ve
Atras das mascaras ou de qualquer traco
de um pecado inocente e genetico
inundado pelo escuro traco da maldade
maldita e repudiada.
atras das mascaras sujas e loucas,
podres e verdadeiras como o rosto do mundo,
do homem e do genio.
sujo, podre,hoje, eu e voce.
Sozinho, buscando na mina imaginaria
o eterno pai beberráo perdido pela tempestade
do norte, do vinho roxo solitario
nao deixou suas cores somarem vidas
nunca deixou o vermelho natalino afetrar seu desempenho
tao fora do natural
de porcelana
quebra
Quem vai ser que aguentara
toda essa pressao do verdadeiro eu
do verdadeiro fraco sem falsas preposicoes
sempre longe de mim
a consciente conciencia logistica
logo esta fora nessa barriga
nessa voz'
nessa minuto prego preguejado retratado pelo louco despedacado
Seu pessoal deixado de fora ao lado direito da linha
o finalpossivel
toma a cadeira quebrada que te cai no instante do subito
quando descobrira
porque enterraste a ti mesmo
ao primeiro quando dito tragado
ao despedaco de quebras foliculares
nariz igual a corpo
sobre lembrancas de joao quem foi
e ele quando recusou seu proprio cheiro
percebeu
essencia era essencial perto do rosto sujo'
que nunca ofi e nuca sera
perto da intenca capciosa perto
da lagrima cumiciosa
rimitificada e perdida dentre os lados do rabo escuro
como o inferno solsticial.
Cada umidade malabarista
pedindo a vida mais do que deixaria
as pernas paradas, nem que para sempre
o w esquecido nunca lembrado
chora sozinho
se vanfgloria na unica singela memoria e orgulho
de permanecer
no solitario solitar
pecador na boia do tempo
sofre apenas pelo medo
de afundar e se espalhar por todos os lados
ao menos onde o sol nunca deixar de brilhar
(e daqui para frente sempre se acatara sem saber todos os feiticos)
Fogo errado quemiou desejo
se separou mas nunca esquece
monja de jogo sem tremedeira
uma vez por favor que seja brinque esquece vomito de sombra na sombra
terça-feira, 27 de outubro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Saído
Beijo meio repartido
um algo de cristal
quebradiço, tensionado,
tratado como sem porquê
quase que acreditei
um algo de cristal
quebradiço, tensionado,
tratado como sem porquê
quase que acreditei
Que bruma
e o sol raiou
o passarinho se molhou na lagoa
deixou em pacotes sua memória para depois
e toda vida deixa e quebra e deixa que quebre
o passarinho se molhou na lagoa
deixou em pacotes sua memória para depois
e toda vida deixa e quebra e deixa que quebre
Epitáfio: me estimule
Todo o desejo do mundo
em disposição à vista
ao alcance
o tempo se espicha
e cômodos acolchoados e a alegria dos arredores
Quer, quer, quer
quem quer mais?
querem querer contornar os quereres?
quem que cometeu o trago da vida?
em disposição à vista
ao alcance
o tempo se espicha
e cômodos acolchoados e a alegria dos arredores
Quer, quer, quer
quem quer mais?
querem querer contornar os quereres?
quem que cometeu o trago da vida?
Vai?
Por favor,
diga que não dirá por favor por mim,
não me faça pedir por favor,
não me peça
Grotesco,
não vê no escuro
que mesmo em suas cobertas e seus cigarros apagados
eu mal me aguento de pé
e tem milhas de pés sobre mim
diga que não dirá por favor por mim,
não me faça pedir por favor,
não me peça
Grotesco,
não vê no escuro
que mesmo em suas cobertas e seus cigarros apagados
eu mal me aguento de pé
e tem milhas de pés sobre mim
Descompromissos
Ele uma meia verdade improvável,
acha que acha e mente por mentir,
recolhido semanalmente e dado como fogo à história
Ela o que se esperou por tanto tempo
o quebrar do lacre o estourar do tímpano com asas à fantasia
a relembrança de que nada desse certo teria ainda cama
Trazia no peito de cada recém nascido,
de cada eles que viam e se faziam
que o mundo é uma porra de uma ferida aberta
acha que acha e mente por mentir,
recolhido semanalmente e dado como fogo à história
Ela o que se esperou por tanto tempo
o quebrar do lacre o estourar do tímpano com asas à fantasia
a relembrança de que nada desse certo teria ainda cama
Trazia no peito de cada recém nascido,
de cada eles que viam e se faziam
que o mundo é uma porra de uma ferida aberta
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Partido
de roxo, de liláses mais purpúreos
de tantas e tantas vezes partículas se amontoando
pensamentos e despensamentos do instinto
mais direito que esquerdo
mais alpha do que gama,
de cada tonalidade o mundo se reflete humano
(pela luz humana natural)
e como um químico,
um deus vivo ser pensante ilógico para abstrair
dessa hipocrisia da existência a raiz do sentido
pela lógica que se abstem em sua própria história,
o contador de histórias
para cada mal que visto e recontado,
onde estará a maldade?
o saudosismo, o sentimento esquecido de verdes anos atrás
e talvez - ainda - nenhuma ano que se passou!
escondida, nunca vista e sempre lembrada,
pressentida,
sentida antes da constatação espiritual que seja que for
antes da menção, lá está
que gente horrível!
(tungs que carrega todo seu amor nacionalista,
salvador de nações inteiras abatidas, delação de potássio,
a essência da crueldade inerente à partículas atômicas jaz em sua presença,
monstro!)
mesclam-se vidas, corroem-lhe os olhos
procure à vontade, procura-se uma boa vontade
que pensas que acha não vê que não vêm jamais
mal que está em nós em antes que neles!
de tantas e tantas vezes partículas se amontoando
pensamentos e despensamentos do instinto
mais direito que esquerdo
mais alpha do que gama,
de cada tonalidade o mundo se reflete humano
(pela luz humana natural)
e como um químico,
um deus vivo ser pensante ilógico para abstrair
dessa hipocrisia da existência a raiz do sentido
pela lógica que se abstem em sua própria história,
o contador de histórias
para cada mal que visto e recontado,
onde estará a maldade?
o saudosismo, o sentimento esquecido de verdes anos atrás
e talvez - ainda - nenhuma ano que se passou!
escondida, nunca vista e sempre lembrada,
pressentida,
sentida antes da constatação espiritual que seja que for
antes da menção, lá está
que gente horrível!
(tungs que carrega todo seu amor nacionalista,
salvador de nações inteiras abatidas, delação de potássio,
a essência da crueldade inerente à partículas atômicas jaz em sua presença,
monstro!)
mesclam-se vidas, corroem-lhe os olhos
procure à vontade, procura-se uma boa vontade
que pensas que acha não vê que não vêm jamais
mal que está em nós em antes que neles!
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Multifacetado
Justiça que se falta
direitos iguais para desiguais,
incluam, afirmem, prejulguem e manipulem:
dêem chance para quem não teve
vez
qualquer olho negro
chora a cor do céu de longe
a cada poema azul o esquecido negro
direitos iguais para desiguais,
incluam, afirmem, prejulguem e manipulem:
dêem chance para quem não teve
vez
qualquer olho negro
chora a cor do céu de longe
a cada poema azul o esquecido negro
Restrições
Toda essa contratuação
contratos de vida, solicitudes
vissicitudes
acostamento cerceado por elevações róseas e o roxo das árvores
na época delas assim serem
ao contrário o vigor
do oposto a atuação
de todo o contentamento
esplendor só para mim
finjo mas é comigo
minto para especular brilhar navegar zarpar!
e lançar,
espontaneidade que se lança dentro do lago parado e ressoa
ressoa
contamina
contratos de vida, solicitudes
vissicitudes
acostamento cerceado por elevações róseas e o roxo das árvores
na época delas assim serem
ao contrário o vigor
do oposto a atuação
de todo o contentamento
esplendor só para mim
finjo mas é comigo
minto para especular brilhar navegar zarpar!
e lançar,
espontaneidade que se lança dentro do lago parado e ressoa
ressoa
contamina
Prenhez da prensa de imprensa
Eu nasci pela manhã:
Acumulei descréditos
denominações caem como céus sobre lagoas
percorro e perspasso e permaneço
um ser impensante
denominações caem como céus sobre lagoas
percorro e perspasso e permaneço
um ser impensante
Eu nasci por nazista:
Como foi poeira!
Nas flores da terra, minha farda à terra
sua cara à terra
podre de terra, plantei seus dentes
cresceu seu choro meu riso sua sorte de ir parasitar no paraíso!
Nunca encontrei felicidade mais legítima.
Nas flores da terra, minha farda à terra
sua cara à terra
podre de terra, plantei seus dentes
cresceu seu choro meu riso sua sorte de ir parasitar no paraíso!
Nunca encontrei felicidade mais legítima.
Eu nasci sem mãe:
Não acreditaria se me dissessem
Quebrei certos padrões, diziam
Tudo que é ABCD tem regra certa que é 1234 e tudo nos conformes
as engrenagens não se dão ao luxo de abusar de coisas como "se dão ao luxo"
não distraem-se em absurdos de lhe discorrer sobre luxos e me dar
eu me dou à vontade! eu me dei hoje
todos os dias apenas a mim e para mim
me dando, darei, dei
disistênti!
Cada engrenagem é uma mola provei
comprovei
como eu provo cada manhã a que me viro sem rumo.
Quebrei certos padrões, diziam
Tudo que é ABCD tem regra certa que é 1234 e tudo nos conformes
as engrenagens não se dão ao luxo de abusar de coisas como "se dão ao luxo"
não distraem-se em absurdos de lhe discorrer sobre luxos e me dar
eu me dou à vontade! eu me dei hoje
todos os dias apenas a mim e para mim
me dando, darei, dei
disistênti!
Cada engrenagem é uma mola provei
comprovei
como eu provo cada manhã a que me viro sem rumo.
Tuas pernas nascem a cada segundo:
Pudera vive verme de toda meticulosidade
se vê como quer que é melindroso holmes sagaz
pernas e pernas e pernas! Nada mais
em frente para trás.
se vê como quer que é melindroso holmes sagaz
pernas e pernas e pernas! Nada mais
em frente para trás.
Tive pretensões:
pretendi fingi
acreditei
fingi que acreditava
acredito que acreditei e que fingidores fingem gente nós estão no seu direito humano
foi-se dane-se
eu nasci!
pretendi fingi
acreditei
fingi que acreditava
acredito que acreditei e que fingidores fingem gente nós estão no seu direito humano
foi-se dane-se
eu nasci!
Arquei com as consequências disso digno
republicano
aceitei esse fato disforme
tomando peso em mim
correndo por toda a quadra
jogando cada esporte
tentando tudo e mais de tudo de uma vez só
só cai
só despencou sem ajuda sem ninguém
caiu
republicano
aceitei esse fato disforme
tomando peso em mim
correndo por toda a quadra
jogando cada esporte
tentando tudo e mais de tudo de uma vez só
só cai
só despencou sem ajuda sem ninguém
caiu
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
O que não se muda:51
um sorriso desolado
nem completamente explicável
nem coerente
nem brilhante, nem vivo
nem enérgico, tudo que toma
forma
sem o pôr da confiança de criança
o alarme de cada manhã
sinalizando tua repetição:
e o hiato absurdo do absurdo
e o hiato absurdo de mil vidas em ruídos,
em colagens
nem coerente,
certamente opaco.
nem completamente explicável
nem coerente
nem brilhante, nem vivo
nem enérgico, tudo que toma
forma
sem o pôr da confiança de criança
o alarme de cada manhã
sinalizando tua repetição:
e o hiato absurdo do absurdo
e o hiato absurdo de mil vidas em ruídos,
em colagens
nem coerente,
certamente opaco.
Retrocircular
Passarinhos, três árvores
vento e manhã invadindo pela janela,
depois
e não me sinto bem comigo
por querer cada cor que não conheço
e deixar cair o ritmo
na cinza do último cigarro
antes de lembrar quem sou
vento e manhã invadindo pela janela,
depois
e não me sinto bem comigo
por querer cada cor que não conheço
e deixar cair o ritmo
na cinza do último cigarro
antes de lembrar quem sou
Triturada Pele
Duas e tanto, noite
vento frio e cortinas vermelhas
um beijo quase morto
e brinco de me enterrar
em terceira pessoa
vento frio e cortinas vermelhas
um beijo quase morto
e brinco de me enterrar
em terceira pessoa
domingo, 20 de setembro de 2009
Cerne Humano
Traduzi longos e estranhos passos
em uma outra linguagem
língua de palavras
mudas
E ela me olhou
e brilhou, suou
todas as penas caíram
e a pomba se orgulhou
de sua fluência
em uma outra linguagem
língua de palavras
mudas
E ela me olhou
e brilhou, suou
todas as penas caíram
e a pomba se orgulhou
de sua fluência
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Cancioneiro Parco
Meu tempo se devora
e eu me ocupo só em
escrever sempre os mesmos finais
Se fosse para qualquer outro alguém,
faria tudo diferente,
se tudo não culminasse em mim,
se ao menos
Mais que dores que poderiam
sacudir o sonho de passos irreais
preciso por tiras em cada visão
tampos de alçapão em raciocínio
me fechar, por vez
esperar me esquecer
E tirar de dentro
cada qual seu equivalente
pois o que se espalha aberto e através
é maior do que o oculto
Essas todas várias dimensões
de azul e vermelho
e entusiasmo
reacabariam
e renasceriam
volantes e fugazes
Eu não me basto,
por fim
eu me exagero
em ti
e eu me ocupo só em
escrever sempre os mesmos finais
Se fosse para qualquer outro alguém,
faria tudo diferente,
se tudo não culminasse em mim,
se ao menos
Mais que dores que poderiam
sacudir o sonho de passos irreais
preciso por tiras em cada visão
tampos de alçapão em raciocínio
me fechar, por vez
esperar me esquecer
E tirar de dentro
cada qual seu equivalente
pois o que se espalha aberto e através
é maior do que o oculto
Essas todas várias dimensões
de azul e vermelho
e entusiasmo
reacabariam
e renasceriam
volantes e fugazes
Eu não me basto,
por fim
eu me exagero
em ti
Que é por cada palavra:
Eu mal aprendi
caí em outro redemoinho
Deveria ter me deixado
quando pude
Me sinto como há anos
como se não fosse mais do que necessário
me cobrir, me esconder,
vou ainda voltar de onde vim
Sons de antes,
as formas que não são mais
e apenas por me evitar tanto
assim
perco tudo que uma vez até pude
conceber
(como possível)
Não sou interminável
Cada vez mais perto
de não ser nascido
caí em outro redemoinho
Deveria ter me deixado
quando pude
Me sinto como há anos
como se não fosse mais do que necessário
me cobrir, me esconder,
vou ainda voltar de onde vim
Sons de antes,
as formas que não são mais
e apenas por me evitar tanto
assim
perco tudo que uma vez até pude
conceber
(como possível)
Não sou interminável
Cada vez mais perto
de não ser nascido
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Problemas Áureos
Um bom protesto
áudio-visual,
sensitivo e abrangente,
detalhado e explicativo,
convincente,
corroe a dita cuja.
(e ela nunca admite que é uma estátua de cristal)
áudio-visual,
sensitivo e abrangente,
detalhado e explicativo,
convincente,
corroe a dita cuja.
(e ela nunca admite que é uma estátua de cristal)
Caramujo sobre Pedra
Escuro:
correm desilusões,
lamentos sobre as mãos
em concha
E é imoral
pensar, achar
sequer me imaginar
como uma espiral?
Que gira, gira,
e retorna?
E aspiral,
um ralo de incongruências
o ponto final
da sentença não declarada?
Gritante retorno!
Seja lá como que seja,
quem entende
essa necessidade
de fugir de mim mesmo?
Vivo sozinho e não paro em mim,
fuga da intensidade,
ostracismo que cai e caí sobre os céus
sobre
tudo que eu achei que conhecia.
Ciclos, pedalista,
avante, curva, marcha,
gelo,
um quase que trezentos e
sessenta e fugi
do ponto final
correm desilusões,
lamentos sobre as mãos
em concha
E é imoral
pensar, achar
sequer me imaginar
como uma espiral?
Que gira, gira,
e retorna?
E aspiral,
um ralo de incongruências
o ponto final
da sentença não declarada?
Gritante retorno!
Seja lá como que seja,
quem entende
essa necessidade
de fugir de mim mesmo?
Vivo sozinho e não paro em mim,
fuga da intensidade,
ostracismo que cai e caí sobre os céus
sobre
tudo que eu achei que conhecia.
Ciclos, pedalista,
avante, curva, marcha,
gelo,
um quase que trezentos e
sessenta e fugi
do ponto final
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Caeito/Efusa
Congele o dia
deus
Deus, o dia
Não quero nada
ainda nada com você,
pulso solitário
do dia que valeu a pena
Você que forja!
rebuliços do que foi
pela excitação por vir
também, confinado em absolutista impositor
compensação é sua mortalha em colchas de histórias!
"que a quero senti meu querer
quase que sem mesmo saber
que veria tudo sem poder
santir e
mesmo, sem desejar
seu mundo tão infronteiriço de real"
deus
Deus, o dia
Não quero nada
ainda nada com você,
pulso solitário
do dia que valeu a pena
Você que forja!
rebuliços do que foi
pela excitação por vir
também, confinado em absolutista impositor
compensação é sua mortalha em colchas de histórias!
"que a quero senti meu querer
quase que sem mesmo saber
que veria tudo sem poder
santir e
mesmo, sem desejar
seu mundo tão infronteiriço de real"
À Inveja Fraternal e Cubos de Labirintos
Tremi em rompantes,
falei de vida e primavera
e primma viril que se alastra
por todo o átomo no átimo
que é a existência
Perdido e encurralado em labirinto
trapezoidal de minha própria, minha
priória, e sempre a
sempre a merda fumegante de chamas escapantes
do fogo do fogão estragado!
Tremi em rompantes, te digo e não me entendo
e pois minha certeza de que o entendimento
nunca é mútuo ou sequer
sequer em sem quereres
individual!
Canso de pensar e regurgitar quimos
de ideologias sem ideal ou base e fundamento
humanas como nós, intempestivas e
mortais, humanas
um
que se diz que preza, se salve
tudo que eu digo não é nada só porque
nada é tudo e o vazio é a dissimulação dos acontecimentos
em egoísmo, a meu bel-prazer
e o vazio é envolto pelo seu não-vazio que o justifica
em vazio
Isso é a distância!
a distância humana e desumana entre humanos
e pessoas!
Pois tanto se fala de tudo,
tanto eu disse de mim,
por qual furor
fugi
falei de vida e primavera
e primma viril que se alastra
por todo o átomo no átimo
que é a existência
Perdido e encurralado em labirinto
trapezoidal de minha própria, minha
priória, e sempre a
sempre a merda fumegante de chamas escapantes
do fogo do fogão estragado!
Tremi em rompantes, te digo e não me entendo
e pois minha certeza de que o entendimento
nunca é mútuo ou sequer
sequer em sem quereres
individual!
Canso de pensar e regurgitar quimos
de ideologias sem ideal ou base e fundamento
humanas como nós, intempestivas e
mortais, humanas
um
que se diz que preza, se salve
tudo que eu digo não é nada só porque
nada é tudo e o vazio é a dissimulação dos acontecimentos
em egoísmo, a meu bel-prazer
e o vazio é envolto pelo seu não-vazio que o justifica
em vazio
Isso é a distância!
a distância humana e desumana entre humanos
e pessoas!
Pois tanto se fala de tudo,
tanto eu disse de mim,
por qual furor
fugi
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Diáfano
Era um titereiro e era um titereiro que chorava
brincava sobre as cabeças maciças
de bonecos em cabelos de s
e derramava seu sangue em cada teclada
do piano humano de madeira
Era uma história e era uma quase que interminável,
a história
repetiu-se pela Eternidade,
ecoou mais além Dela e da vida e translúcido,
através das máscaras e dos sentimentos,
pela rampa de deficientes e becos de água suja
e é a história do sempre, inigualável
em sua repetição e equivalência concomitante
que é o reflexo
E por detrás das cortinas e dos cachorros de bolsões,
crianças esperavam seu pais que choravam suas mortes
vendo a cama arrumada e vazia
e as proles animais de instintos secretos desoladas no entardecer e a iluminação do poste
e foi inédito
a desamparo da solitude
e todos os seus animais rugiram com o choro de mil pessoas
no piano trágico e azul e que se repete indefinidamente
por sua beleza tão notável
que se expande sem procurar se justificar
E cada hora tomava o espaço de quatorze pessoas e
cincuenta de trabalhadores vermelhos em suas
repartições
o céu
que brilhou roxo pelo alvorecer do mundo de tempo que acredita ser tempo
até o término e o fechar da embriaguez
e suas passadas se tornaram incongruentes
e sua síncope enlouqueceu o andar da sociedade
que se voltou aos muros e com as cabeças
fizeram ruir todas as estruturas e suas bases
apenas para se afundarem
sobre as lágrimas do pianista de madeira
e concreto.
brincava sobre as cabeças maciças
de bonecos em cabelos de s
e derramava seu sangue em cada teclada
do piano humano de madeira
Era uma história e era uma quase que interminável,
a história
repetiu-se pela Eternidade,
ecoou mais além Dela e da vida e translúcido,
através das máscaras e dos sentimentos,
pela rampa de deficientes e becos de água suja
e é a história do sempre, inigualável
em sua repetição e equivalência concomitante
que é o reflexo
E por detrás das cortinas e dos cachorros de bolsões,
crianças esperavam seu pais que choravam suas mortes
vendo a cama arrumada e vazia
e as proles animais de instintos secretos desoladas no entardecer e a iluminação do poste
e foi inédito
a desamparo da solitude
e todos os seus animais rugiram com o choro de mil pessoas
no piano trágico e azul e que se repete indefinidamente
por sua beleza tão notável
que se expande sem procurar se justificar
E cada hora tomava o espaço de quatorze pessoas e
cincuenta de trabalhadores vermelhos em suas
repartições
o céu
que brilhou roxo pelo alvorecer do mundo de tempo que acredita ser tempo
até o término e o fechar da embriaguez
e suas passadas se tornaram incongruentes
e sua síncope enlouqueceu o andar da sociedade
que se voltou aos muros e com as cabeças
fizeram ruir todas as estruturas e suas bases
apenas para se afundarem
sobre as lágrimas do pianista de madeira
e concreto.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Insonelência
Minhas pálpebras andam
pesando o mundo
e todos os seus despedaçados
Trocaria a mim mesmo
tocaria todo sentimento
por mais um divino
E se não passar?
não existirá mais
telhados nem flores
para estilhaçar
e apreciar?
Passo lento que passa rápido
passada que demora e
pensamento fugaz
e demais
Tive minhas impressões
me afoguei sobre minhas ofélias
de amor pensante
pesando o mundo
e todos os seus despedaçados
Trocaria a mim mesmo
tocaria todo sentimento
por mais um divino
E se não passar?
não existirá mais
telhados nem flores
para estilhaçar
e apreciar?
Passo lento que passa rápido
passada que demora e
pensamento fugaz
e demais
Tive minhas impressões
me afoguei sobre minhas ofélias
de amor pensante
Purgação da alma sem consciência
Me esporrei todo:
cansei dessa toda
arte de catarse nada
À vácuo entregue
inteira invertida,
mentira antes de existir
cansei dessa toda
arte de catarse nada
À vácuo entregue
inteira invertida,
mentira antes de existir
domingo, 6 de setembro de 2009
Retilínio e difereforme
Terei de ser
um pouco mais sucinto:
já não me sinto tão próximo de mim mesmo
não sei se ainda me gosto assim ainda
(tudo como fosse ideal, três linhas bastariam)
me esqueça de contar sobre a vida e submissão
um pouco mais sucinto:
já não me sinto tão próximo de mim mesmo
não sei se ainda me gosto assim ainda
(tudo como fosse ideal, três linhas bastariam)
me esqueça de contar sobre a vida e submissão
Ao contrário do contrário
Me senti incomodado
alguns comichões me vêm percorrendo
todos meus órgãos
e eu digo, quase que jurei a mim mesmo
devo tudo ao quase
Já faz algumas luas
períodos,
desde quando o efeito pressente a causa?
Cansei de dissimular
alguns comichões me vêm percorrendo
todos meus órgãos
e eu digo, quase que jurei a mim mesmo
devo tudo ao quase
Já faz algumas luas
períodos,
desde quando o efeito pressente a causa?
Cansei de dissimular
(dissimular honestidade)
O paradoxo é sempre tão mais potentemente espontâneo
que eu quase que me rendo a mim mesmo!
que eu quase que me rendo a mim mesmo!
Duzentos de uma vez
Peito carregado,
amostra de aconchego
é término
térmico de frio interno
Término das idéias,
ideiais longe e perdidos,
trágico e lúgubre,
tremeluzindo na faísca
de apenas uma noite
É quase tudo
quase apenas
quase o que peço
quase nada muita coisa
senão imposto sobre mim
quase que sou eu
Mas ainda demais.
Sabe, intermitente, inescrutável coração:
dê tudo de volta, nada mais te pertence.
amostra de aconchego
é término
térmico de frio interno
Término das idéias,
ideiais longe e perdidos,
trágico e lúgubre,
tremeluzindo na faísca
de apenas uma noite
É quase tudo
quase apenas
quase o que peço
quase nada muita coisa
senão imposto sobre mim
quase que sou eu
Mas ainda demais.
Sabe, intermitente, inescrutável coração:
dê tudo de volta, nada mais te pertence.
Caí
Desencontrado,
pulsante em cada
passo interminado
Recluso,
em sol na chuva
o não feito
Sequer começado,
se eu pudesse,
de volta ao original
O sentimento
do escorrego de uma brisa
marchando entre a face e a alma
pulsante em cada
passo interminado
Recluso,
em sol na chuva
o não feito
Sequer começado,
se eu pudesse,
de volta ao original
O sentimento
do escorrego de uma brisa
marchando entre a face e a alma
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Sustos
O primeiro susto traz consigo a vida:
é o susto da realidade,
assumir a cada momento
que a inflexibilidade concreta
é tudo que existe
O segundo susto nega:
posso transcorrer através
e sou fluido no interior
negando a minha dura carapaça
disvirtuo meu próprio ao redor
O terceiro susto,
o quarto susto,
o quinto susto, vêm incoerentes,
se confundem,
fazem esquecer que até ontem havia mais estrelas no céu enevoado
fortalecem nossa pele e quebram nossos olhos,
tornam-nos acostumados à vida
retiram o furor de cada baforada
E a couraça intransponível ainda não é o bastante
para durar
por mais um susto
O fluxo de visões é gelado e quebradiço:
ao respirar, tremeluzindo no lusco-fusco,
a fumaça das almas e de suas criações pesa no interior
Por que tratamos-a como necessária?
Afinal, nada pode ser abstrato
entretando, nada se dissolve e
pardais cantam e o Tempo, ah, o Tempo
por que o Tempo merece uma letra maiúscula?
se é inquebrável e nosso respeito lhe é indiferente
é porque é próximo nosso e dói
e é fraco para se assumir, de vez,
como ilusão..
À toa.
Cada praça, em prepotente verdidão,
se cria diante
por se acreditar suficientemente linda
e merecedora de Luz
Cansamos e não sabemos nem o porquê.
Como concluir o segundo se assumindo merecedor
de qualquer coisa que acredita que acredita que existe?
Quase que relaxo antes de me entregar ao estupor de cada noite
me engano, pensando estar diante do fechamento de um estágio
O susto de acordar cada manhã e ver o dia clarear.
é o susto da realidade,
assumir a cada momento
que a inflexibilidade concreta
é tudo que existe
O segundo susto nega:
posso transcorrer através
e sou fluido no interior
negando a minha dura carapaça
disvirtuo meu próprio ao redor
O terceiro susto,
o quarto susto,
o quinto susto, vêm incoerentes,
se confundem,
fazem esquecer que até ontem havia mais estrelas no céu enevoado
fortalecem nossa pele e quebram nossos olhos,
tornam-nos acostumados à vida
retiram o furor de cada baforada
E a couraça intransponível ainda não é o bastante
para durar
por mais um susto
O fluxo de visões é gelado e quebradiço:
ao respirar, tremeluzindo no lusco-fusco,
a fumaça das almas e de suas criações pesa no interior
Por que tratamos-a como necessária?
Afinal, nada pode ser abstrato
entretando, nada se dissolve e
pardais cantam e o Tempo, ah, o Tempo
por que o Tempo merece uma letra maiúscula?
se é inquebrável e nosso respeito lhe é indiferente
é porque é próximo nosso e dói
e é fraco para se assumir, de vez,
como ilusão..
À toa.
Cada praça, em prepotente verdidão,
se cria diante
por se acreditar suficientemente linda
e merecedora de Luz
Cansamos e não sabemos nem o porquê.
Como concluir o segundo se assumindo merecedor
de qualquer coisa que acredita que acredita que existe?
Quase que relaxo antes de me entregar ao estupor de cada noite
me engano, pensando estar diante do fechamento de um estágio
O susto de acordar cada manhã e ver o dia clarear.
Madrugou o Sol
Te difere e
fere e
noutra vida poderia passar sem tudo
tudoisso e
desacredito e me aqueço tudo
tudo de novo e
nada de novo, afinal
fere e
noutra vida poderia passar sem tudo
tudoisso e
desacredito e me aqueço tudo
tudo de novo e
nada de novo, afinal
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
O mundo
Há um certo limite
de grandeza, digo
cada virtuoso se faz virtuoso pelo reflexo das carecas brilhantes de seus aduladores
sua imponência existe como um astro morto ou um buraco negro
de grandeza, digo.
E era tão mais fácil
não ter que dividi-la com 7 bilhões de indivíduos que não conheço
e não quero conhecer
de grandeza, digo
cada virtuoso se faz virtuoso pelo reflexo das carecas brilhantes de seus aduladores
sua imponência existe como um astro morto ou um buraco negro
de grandeza, digo.
E era tão mais fácil
não ter que dividi-la com 7 bilhões de indivíduos que não conheço
e não quero conhecer
(e o interesse morre aqui)
Somos magníficos em deslumbres altruístas do coletivo humanitário.
Somos magníficos em deslumbres altruístas do coletivo humanitário.
Facada
Se eu fosse completo:
me esqueceria que vivo,
me deixaria em cacos,
tendo a convicção de poder me juntar tudo de novo.
Lembraria da vida só quando ela fosse imutável:
a cada gota de água dessa chuva que bate nos vidros
um baque ecoaria por dentro de mim, se exteriorizando,
se tornando a gelada marcha da vitória,
a incompreensão solitária e nunca desgastante.
Se eu fosse inteiro:
diria que sou denso,
não renegaria cada sorriso humano,
abraçaria as ondas que quebram em meu torso imóvel.
Me esgotaria.
Me faria sujo, me jogaria aos prantos e rolaria nos seus azulejos,
imploraria por uma espectral visão dessa Luz,
que se faz em você.
Não posso ser completo.
Não é um choro que me destrancaria,
não é a minha vitória,
não é a minha culpa.
Não foi. Eu, nunca foi eu.
Beleza não é distinta. Separada da náusea e do pavor, como ela brilharia?
Ressôo. Oco.
Se eu fosse completo:
rezaria para derreter.
me esqueceria que vivo,
me deixaria em cacos,
tendo a convicção de poder me juntar tudo de novo.
Lembraria da vida só quando ela fosse imutável:
a cada gota de água dessa chuva que bate nos vidros
um baque ecoaria por dentro de mim, se exteriorizando,
se tornando a gelada marcha da vitória,
a incompreensão solitária e nunca desgastante.
Se eu fosse inteiro:
diria que sou denso,
não renegaria cada sorriso humano,
abraçaria as ondas que quebram em meu torso imóvel.
Me esgotaria.
Me faria sujo, me jogaria aos prantos e rolaria nos seus azulejos,
imploraria por uma espectral visão dessa Luz,
que se faz em você.
Não posso ser completo.
Não é um choro que me destrancaria,
não é a minha vitória,
não é a minha culpa.
Não foi. Eu, nunca foi eu.
Beleza não é distinta. Separada da náusea e do pavor, como ela brilharia?
Ressôo. Oco.
Se eu fosse completo:
rezaria para derreter.
À Incoerência Humana
Não se satisfaz facilmente,
um sorriso não basta
deseja profundidade
preencher o oco que sente
que deveria sentir
Pensa em bases,
se imagina metafóricamente
procura suas origens
e busca fundamento,
se afirma como senciente
e respeitoso aos semelhantes
E não se satisfaz facilmente.
Desconfia dos instintos,
destrata elogios e idealiza elogios
no espelho, um amontoado quase perfeito,
quase que fedido,
quase cerebral ou orgulhoso,
quase que um amontoado por inteiro
Mas, afinal, deve haver algo mais
que eu não sou e pressinto,
que, conectado com a amplitude universal,
trangrido minha essência manchada
e me vejo imparcial flutuando através
sou a modernidade,
cinza-metálico, parda, colorida e fosco-brilhante
o amálgama da dissimulação tecno-confuciana
sou o oriente e o ocidente,
o destino de todos os traços históricos e antropológicos
que convergiram, em serenidade,
sorrateira e imperceptívelmente,
neste corpo máximo de possibilidades estratosféricas
sim, a apoteose do transcedentalismo humano!
afinal, sou a modernidade
Quase que perfeito.
Sorrio quando quero,
só não quero muito.
E isso porque não me satisfaço facilmente.
Débil e contraditório,
ao menos carrego no âmago a certeza
de que sou muito mais que sou na verdade,
e obedeço à metafísica da situação
me digo pequeno e cor de bosta,
sou a modernidade.
E adoro minha casa de espelhos.
um sorriso não basta
deseja profundidade
preencher o oco que sente
que deveria sentir
Pensa em bases,
se imagina metafóricamente
procura suas origens
e busca fundamento,
se afirma como senciente
e respeitoso aos semelhantes
E não se satisfaz facilmente.
Desconfia dos instintos,
destrata elogios e idealiza elogios
no espelho, um amontoado quase perfeito,
quase que fedido,
quase cerebral ou orgulhoso,
quase que um amontoado por inteiro
Mas, afinal, deve haver algo mais
que eu não sou e pressinto,
que, conectado com a amplitude universal,
trangrido minha essência manchada
e me vejo imparcial flutuando através
sou a modernidade,
cinza-metálico, parda, colorida e fosco-brilhante
o amálgama da dissimulação tecno-confuciana
sou o oriente e o ocidente,
o destino de todos os traços históricos e antropológicos
que convergiram, em serenidade,
sorrateira e imperceptívelmente,
neste corpo máximo de possibilidades estratosféricas
sim, a apoteose do transcedentalismo humano!
afinal, sou a modernidade
Quase que perfeito.
Sorrio quando quero,
só não quero muito.
E isso porque não me satisfaço facilmente.
Débil e contraditório,
ao menos carrego no âmago a certeza
de que sou muito mais que sou na verdade,
e obedeço à metafísica da situação
me digo pequeno e cor de bosta,
sou a modernidade.
E adoro minha casa de espelhos.
sábado, 15 de agosto de 2009
Cronologia de um impulso
O tremor surgiu,
surgiu sem avisos,
trouxe a surpresa e a calamidade,
a verossimilhança:
(e é dela que eu preciso -
quando acredito que existo
me esqueço que sabem também
me torna incompreensível
a sabedoria inerente à alma geral humana)
(De qualquer jeito, maneira,
idiossincrasias,
credos,
é na nossa essência
que repousa a realidade:
livre de distorções,
crê nela que ela é você.
Crê nela mesmo sem saber,
que sem ela nunca existiu -
tampouco para avaliar sua inexistência)
E, de súbito
fez se luz, dia, claridade
e jorrou, clamou a liberdade,
tudo que fora trancafiado,
empurrado à força e à mentira
(a extorsão que permite o despertar),
de maneiras terríveis &
impossíveis de voltar à tona,
a própria existência -
desconhecida, sem face,
irresoluta, abnegada,
imaterial, imprescindível -
implodiu-se em duzentos bilhões,
em incontáveis e infinitos milésimos de tempo e realidade,
circundando todo coração pulsante,
adentrando casas despedaçadas em famílias encouraçadas,
transpassando e perdendo a si mesma
ao espalhar o regozijo,
o despencar do paraíso,
a queda brusca e dolorida,
o entendimento necessariamente náuseante &
individual
(& mundial)
E por cada lágrima que exasperou-se
na decorrência do desastre,
sua bruta energia,
a cândida leveza molecular
reestruturou-se em minérios,
valiosos, efêmeros, mutáveis -
e o indelével explodiu-se e
mudou a estação
e a menina que se cortava se viu costurada,
e cada aba solta de seu coração estava,
como que de repente,
presa novamente ao ao interior imaterial,
a o grisalho reclamou pela última vez,
desgraçando o choro,
doente da alma,
duro na essência,
imutável - (ao menos,
sua mudança fora sutil:
da estagnação ao estupor,
à petrificação e ao empalhamento,
tudo que restou foram duplas vivas
se lixo e restos de experiências impossíveis,
nunca ocorridas,
irreais,
nostálgicas e mentirosas como toda nostalgia se prova,
o gosto azul na boca inerte)
Por um estalo,
as plataformas ruíram e tremeram,
as bases não existiam mais para seus apoios,
pelos apoios que não existiam mais para suas bases,
e separados -
lembra-se que tudo se desvencilha,
exceto pelos olhos, nunca desvinculados
da importância negra, brilhante,
clara e iluminada quando se quebra por dentro -
tudo pôde ser visto,
notado como individual,
à distância, tudo apareceu,
tão confortalmente,
que pude dormir.
(Se me lembrasse do sentimento, da memória, antes dela quebrar e se estilhaçar -
aí ainda existiria uma ponta dessa terra farta para chamar de minha -
como o sentido é relativo,
impossível de ser evitado quando iniciado,
inesgotável em sua essência,
impossível de ser acordado quando terminado.
E, pois, o sentido é impossível, como tudo que é demais:
é a medida circular, o começo e o término inexistentes e equivalentes)
- e, assim, me agarro à memórias quebradas,
a mentiras e incertezas da vida e de quem sou,
e me sinto muito melhor,
cercado e mergulhado, em estupor solitário,
esquecido
no azul -
surgiu sem avisos,
trouxe a surpresa e a calamidade,
a verossimilhança:
(e é dela que eu preciso -
quando acredito que existo
me esqueço que sabem também
me torna incompreensível
a sabedoria inerente à alma geral humana)
(De qualquer jeito, maneira,
idiossincrasias,
credos,
é na nossa essência
que repousa a realidade:
livre de distorções,
crê nela que ela é você.
Crê nela mesmo sem saber,
que sem ela nunca existiu -
tampouco para avaliar sua inexistência)
E, de súbito
fez se luz, dia, claridade
e jorrou, clamou a liberdade,
tudo que fora trancafiado,
empurrado à força e à mentira
(a extorsão que permite o despertar),
de maneiras terríveis &
impossíveis de voltar à tona,
a própria existência -
desconhecida, sem face,
irresoluta, abnegada,
imaterial, imprescindível -
implodiu-se em duzentos bilhões,
em incontáveis e infinitos milésimos de tempo e realidade,
circundando todo coração pulsante,
adentrando casas despedaçadas em famílias encouraçadas,
transpassando e perdendo a si mesma
ao espalhar o regozijo,
o despencar do paraíso,
a queda brusca e dolorida,
o entendimento necessariamente náuseante &
individual
(& mundial)
E por cada lágrima que exasperou-se
na decorrência do desastre,
sua bruta energia,
a cândida leveza molecular
reestruturou-se em minérios,
valiosos, efêmeros, mutáveis -
e o indelével explodiu-se e
mudou a estação
e a menina que se cortava se viu costurada,
e cada aba solta de seu coração estava,
como que de repente,
presa novamente ao ao interior imaterial,
a o grisalho reclamou pela última vez,
desgraçando o choro,
doente da alma,
duro na essência,
imutável - (ao menos,
sua mudança fora sutil:
da estagnação ao estupor,
à petrificação e ao empalhamento,
tudo que restou foram duplas vivas
se lixo e restos de experiências impossíveis,
nunca ocorridas,
irreais,
nostálgicas e mentirosas como toda nostalgia se prova,
o gosto azul na boca inerte)
Por um estalo,
as plataformas ruíram e tremeram,
as bases não existiam mais para seus apoios,
pelos apoios que não existiam mais para suas bases,
e separados -
lembra-se que tudo se desvencilha,
exceto pelos olhos, nunca desvinculados
da importância negra, brilhante,
clara e iluminada quando se quebra por dentro -
tudo pôde ser visto,
notado como individual,
à distância, tudo apareceu,
tão confortalmente,
que pude dormir.
(Se me lembrasse do sentimento, da memória, antes dela quebrar e se estilhaçar -
aí ainda existiria uma ponta dessa terra farta para chamar de minha -
como o sentido é relativo,
impossível de ser evitado quando iniciado,
inesgotável em sua essência,
impossível de ser acordado quando terminado.
E, pois, o sentido é impossível, como tudo que é demais:
é a medida circular, o começo e o término inexistentes e equivalentes)
- e, assim, me agarro à memórias quebradas,
a mentiras e incertezas da vida e de quem sou,
e me sinto muito melhor,
cercado e mergulhado, em estupor solitário,
esquecido
no azul -
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Chinês em Albuquerque
"Comodismo da organização"
Em suas letras irregulares e curvas para a esquerda, relatava cada mínimo detalhe com a expressividade que faltaria a alguém desprovido de radiotividade interna; entulhos de lixo cresciam de maneira assombrosa nas laterais da mesa, circulada por ratos e bactérias do tamanho de pés humanos, se amontoando uma por cima das outras em redemoinhos citoplasmáticos e mitoses da sorte unicelular; o inferno em terra, a devassidão da sobriedade datilográfica; em sua pobre máquina de escrever, forçava as páginas à retidão porque assim lhe foi ensinado; cada quadro que se curva é um quadro a mais a ser depositado indefinidamente no quarto de quadros depositados; a estaticidade complacente e apologética é a busca definitiva familiar, assim lhe foi ensinado; assim seus ouvidos absorviam irracionalmente toda e qualquer informação jorrada em magníficos jatos de fontes cobertas de musgo e desuso; como aprendeu, organizava a casa e de coluna ereta (em sua postura mais digna a ser descrita pelos biógrafos), mecanizado, tipografava diligentemente cada aspecto da poeira ambiental, dos resquícios de oxigênio no ar atmosférico do mundo pós-pós-apocalíptico, com máscaras de gás tratadas em aquários salinos e escamas e guelras artificiais; nortadas que vêm como baforadas de ar quente de fogão ou lareiras de tristes casas de madeiras, o pólo magnético invertido, se equilibrando no topo da cabeça e pensando através de unhas e dedos calosos, desmontando e reconstruindo a essência há muito tempo perdida do natural Humano; o relatório diário se transforma em obituário, judeus perdidos chorando a desgraça sentida atrasada, arruinando seus penteados trabalhados a laquê ao perceberem o invariável cataclisma circular eterno em que foram afundados, levados junto com a multidão, a crescente e devoradora multidão incansável e hipnotizada em desvarios elétricos de informações a cabo; "Finalizando, qualquer novidade se mostra aparentemente inexistente ou imperceptível. Translação e rotação inalteradas. Tratamento com cobaias genitais humanóides inefetivo. À espera e alerta para as mínimas alterações de sistema. Café é requisitado em quantidades consideráveis. Peço atenção especial a esse último pedido, visto que é de importância maior para o resultado positivo desta coleção de cruzadas existenciais."
"Crente de Massa Espermática"
Em suas letras irregulares e curvas para a esquerda, relatava cada mínimo detalhe com a expressividade que faltaria a alguém desprovido de radiotividade interna; entulhos de lixo cresciam de maneira assombrosa nas laterais da mesa, circulada por ratos e bactérias do tamanho de pés humanos, se amontoando uma por cima das outras em redemoinhos citoplasmáticos e mitoses da sorte unicelular; o inferno em terra, a devassidão da sobriedade datilográfica; em sua pobre máquina de escrever, forçava as páginas à retidão porque assim lhe foi ensinado; cada quadro que se curva é um quadro a mais a ser depositado indefinidamente no quarto de quadros depositados; a estaticidade complacente e apologética é a busca definitiva familiar, assim lhe foi ensinado; assim seus ouvidos absorviam irracionalmente toda e qualquer informação jorrada em magníficos jatos de fontes cobertas de musgo e desuso; como aprendeu, organizava a casa e de coluna ereta (em sua postura mais digna a ser descrita pelos biógrafos), mecanizado, tipografava diligentemente cada aspecto da poeira ambiental, dos resquícios de oxigênio no ar atmosférico do mundo pós-pós-apocalíptico, com máscaras de gás tratadas em aquários salinos e escamas e guelras artificiais; nortadas que vêm como baforadas de ar quente de fogão ou lareiras de tristes casas de madeiras, o pólo magnético invertido, se equilibrando no topo da cabeça e pensando através de unhas e dedos calosos, desmontando e reconstruindo a essência há muito tempo perdida do natural Humano; o relatório diário se transforma em obituário, judeus perdidos chorando a desgraça sentida atrasada, arruinando seus penteados trabalhados a laquê ao perceberem o invariável cataclisma circular eterno em que foram afundados, levados junto com a multidão, a crescente e devoradora multidão incansável e hipnotizada em desvarios elétricos de informações a cabo; "Finalizando, qualquer novidade se mostra aparentemente inexistente ou imperceptível. Translação e rotação inalteradas. Tratamento com cobaias genitais humanóides inefetivo. À espera e alerta para as mínimas alterações de sistema. Café é requisitado em quantidades consideráveis. Peço atenção especial a esse último pedido, visto que é de importância maior para o resultado positivo desta coleção de cruzadas existenciais."
"Crente de Massa Espermática"
quarta-feira, 29 de julho de 2009
De Tom Waits, 2
Morava em uma casa branca de tamanho médio, maior e mais bem cuidada do que a minha. Sua geladeira realmente conservava as comidas, ao contrário da que tínhamos lá em casa, que estragava o leite em dois dias, e sua cama era quase do tamanho da cama de casal de meu pai, só que mais macia e aconchegante. Não chegava a ser uma morada invejada, pois também possuía os seus aspectos negativos, como o banheiro em que a luz não acendia mais, não importasse o que fosse feito. E, além de tudo, havia em Monte Rio muitas casas maiores e mais bonitas para os invejosos invejarem, e também muitas casas caindo aos pedaços para os invejosos morarem. Em sua maioria, todos eram meus vizinhos ou próximos disso. Mais do que os barracos de pintura descascada e de esquadrilhas quebradas, o que mais atormentava as pessoas que moravam na região eram os lares despedaçados: não era raro ver homens de aparência rude e parruda bêbados, deitados no que se assemelharia às varandas externas das casas de melhor qualidade, simplesmente esperando que a raiva e o ressentimento de suas esposas passassem logo, para que elas os deixassem, enfim, adentrar novamente em seus lares, por mais sujos e desconfortáveis que eles fossem. Às vezes, esses homens fixavam residência nas calçadas em frente a suas casas, orgulhosos ou estúpidos demais para perceberem que, na realidade, tudo que suas esposas desejavam era um honesto pedido de desculpas, isso porque já haviam aprendido a nunca esperar mais do que o estritamente instintivo dos homens de Monte Rio. Tristemente, parecia que mesmo com as expectativas tão abaixo do comum, essas mulheres ainda eram capazes de se frustrarem com seus maridos por mais uma vez, negligenciando a desilusão em que seus sonhos e suas vidas foram afogados para, em gestos de piedade, pena ou altruísmo, os perdoarem e reabrir, então, as portas de suas residências. E esses machos bestiais nunca admitiam sua culpa, jamais pediam perdão e nunca percebiam a resiliência angelical de suas esposas, que afundavam toda essa sofreguidão diária em reprimidos becos escuros de suas almas, e assim podiam continuar todos os seus serviços diligentemente.
O começo de minha relação com Emma foi tímido e de uma inconsistência desastrosa, o que fazia e ainda faz nascer em mim sentimentos de que eu possuo uma espécie de dívida para com ela, por nunca ter me julgado infantil ou ignorante demais quando eu realmente o era, por ter superado esse meu passado, esse meu eu do passado que, percebo agora, era terrivelmente vergonhoso. Talvez apenas seja uma sensação minha, e talvez, também, eu ainda seja tão ridículo quanto creio que era, ou nesse caso, até mais, por ter a arrogância de pensar que mudei para melhor. O que tento dizer aqui é que a minha vida, até agora, pode perfeitamente ser divida em três fases singulares, e que as duas reviravoltas que sofri foram por pura influência direta ou indireta de Emma. Sendo quem sou hoje em dia, sinto que devo todos os meus pensamentos, as minhas opiniões, o meu caráter e o meu coração a ela, que foi a principal e, honestamente, a única pessoa que pode ser considerada responsável por me moldar na forma em que estou.
A primeira grande reviravolta de minha vida foi o momento em que percebi o coração de Emma. As exatas circunstâncias de nosso primeiro encontro eu não consigo lembrar, por algum motivo. Não me recordo do porquê dela ter se aproximado de mim, justo de mim, um sujeito completamente mergulhado no estilo de vida que tanto desprezo agora, um parasita neste mundo, incapaz de formar um pensamento com começo e fim em sua própria mente, um lixo humano entediado e entediante, e se me descrevo como humano é simplesmente por não suportar mais autocomiseração, como qualquer outra pessoa que já tenha se sentido impregnada deste sentimento durante anos a fio. Os olhos de Emma causavam o primeiro impacto. Repletos de alguma sinestesia nostálgica e mágica, constantemente me lembravam um balde cheio de água escura, sempre a apenas uma gota de transbordar, negro o bastante para refletir com perfeição quem quer que olhasse para dentro dele. Eram intrigantes, misteriosos, úmidos. Sua expressão fazia parecer que ela estava em um eterno estado de quase choro e, apesar disso, seus olhos revelavam uma alegria tão distinta, tão íntima e afogada, que não imagino a palavra certa para descreve-la. Não consigo nem reconhecer se era realmente um sentimento de alegria ou uma profunda aceitação pelo universo como um todo, um amor libertário, uma compreensão distante e onisciente, uma libélula brilhante voando veloz através das pradarias, um trovão grave e assustador e dócil e calmante, uma dúvida sincera, uma resposta para tudo que não pode ser perguntado, um grito agonizante interno por ajuda, uma ajuda impossível de ser oferecida. Traziam consigo algo de muito antigo, uma experiência espectral e lúgubre. Com seu formato levemente amendoado, quase índio ou japonês, eram uma lembrança do oriente sábio e imaginário, o peso de mil anos nesse mundo em um brilho efêmero e enxuto, uma questão incalculável, impensável e indelével. O rio observado do alto do morro em dias de correnteza forte, quando toda a movimentação quieta se transforma em estupor solitário, um fogo invisível e impagável.
O começo de minha relação com Emma foi tímido e de uma inconsistência desastrosa, o que fazia e ainda faz nascer em mim sentimentos de que eu possuo uma espécie de dívida para com ela, por nunca ter me julgado infantil ou ignorante demais quando eu realmente o era, por ter superado esse meu passado, esse meu eu do passado que, percebo agora, era terrivelmente vergonhoso. Talvez apenas seja uma sensação minha, e talvez, também, eu ainda seja tão ridículo quanto creio que era, ou nesse caso, até mais, por ter a arrogância de pensar que mudei para melhor. O que tento dizer aqui é que a minha vida, até agora, pode perfeitamente ser divida em três fases singulares, e que as duas reviravoltas que sofri foram por pura influência direta ou indireta de Emma. Sendo quem sou hoje em dia, sinto que devo todos os meus pensamentos, as minhas opiniões, o meu caráter e o meu coração a ela, que foi a principal e, honestamente, a única pessoa que pode ser considerada responsável por me moldar na forma em que estou.
A primeira grande reviravolta de minha vida foi o momento em que percebi o coração de Emma. As exatas circunstâncias de nosso primeiro encontro eu não consigo lembrar, por algum motivo. Não me recordo do porquê dela ter se aproximado de mim, justo de mim, um sujeito completamente mergulhado no estilo de vida que tanto desprezo agora, um parasita neste mundo, incapaz de formar um pensamento com começo e fim em sua própria mente, um lixo humano entediado e entediante, e se me descrevo como humano é simplesmente por não suportar mais autocomiseração, como qualquer outra pessoa que já tenha se sentido impregnada deste sentimento durante anos a fio. Os olhos de Emma causavam o primeiro impacto. Repletos de alguma sinestesia nostálgica e mágica, constantemente me lembravam um balde cheio de água escura, sempre a apenas uma gota de transbordar, negro o bastante para refletir com perfeição quem quer que olhasse para dentro dele. Eram intrigantes, misteriosos, úmidos. Sua expressão fazia parecer que ela estava em um eterno estado de quase choro e, apesar disso, seus olhos revelavam uma alegria tão distinta, tão íntima e afogada, que não imagino a palavra certa para descreve-la. Não consigo nem reconhecer se era realmente um sentimento de alegria ou uma profunda aceitação pelo universo como um todo, um amor libertário, uma compreensão distante e onisciente, uma libélula brilhante voando veloz através das pradarias, um trovão grave e assustador e dócil e calmante, uma dúvida sincera, uma resposta para tudo que não pode ser perguntado, um grito agonizante interno por ajuda, uma ajuda impossível de ser oferecida. Traziam consigo algo de muito antigo, uma experiência espectral e lúgubre. Com seu formato levemente amendoado, quase índio ou japonês, eram uma lembrança do oriente sábio e imaginário, o peso de mil anos nesse mundo em um brilho efêmero e enxuto, uma questão incalculável, impensável e indelével. O rio observado do alto do morro em dias de correnteza forte, quando toda a movimentação quieta se transforma em estupor solitário, um fogo invisível e impagável.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
De Tom Waits, 1
Emma foi a mulher mais impressionante que já conheci. Crescemos juntos, compartilhando a monotonia e o sol quente de Monte Rio. Seu pai costumava trabalhar próximo à minha casa, carregando pesados e pardos sacos de arroz. Conheci-a quando éramos jovens, ela devia estar no auge dos seus quinze anos, ou talvez recém feito quatorze. Sei que eu tinha dezessete. A primeira vez que eu a vi, fiquei estarrecido com o seu passo rápido e decidido e com o seu olhar negro sem brilho algum, profundo como as águas do rio, penetrante e certeiro. Meu pai estava desempregado, e vivíamos com a pouca quantia de dinheiro que ele herdara de seu irmão mais novo, um esbaforido comerciante de L.A., que morrera de tuberculose alguns anos antes. Eu ajudava fazendo bicos aqui e ali, mas meu maior passatempo era caminhar a ermo através da pequena cidade em que vivíamos. Em pouco tempo me cansava, não física, mas sim mentalmente, entediado até os ossos pelo tédio e pela falta de energia das pessoas que lá viviam, andróides anestesiados que procuravam não pensar em nada e, assim, evitar qualquer desapontamento com a maneira insossa e miserável com que carregavam suas vidas nas costas, do mesmo modo que o pai de Emma carregava um daqueles grandes sacos de arroz, por vezes pesado demais para ser agüentado. Julgar a vida como um fardo a ser superado era a visão geral dos cidadãos de Monte Rio, e foi assim que eu cresci, alienado à grandiloqüência que poderia existir além das fronteiras da limitada cidade. Nunca sonhara em dirigir um carro, nunca sequer cogitara que a vida podia ser algo mais do que simplesmente a rotina monótona e insistente, insubstancial em sua essência dura como pedra, dura como o olhar severo daquele povo trabalhador e diligente e, entretanto, profundamente ignorante e intolerante. Em minhas caminhadas, pude também perceber que nada do que falo aqui possui exagero algum: realmente, a vida lesou tão fortemente o espírito dos homens da região que, apenas por ter nascido lá mesmo, vivo eternamente com a marca indesejada e imutável da secura da alma. Nunca havia percebido o quão rasa era a minha existência, até conhecer Emma. Os homens de lá eram demasiadamente desumanos ou demasiadamente humanos para admitir qualquer demonstração mais explicita de sentimentos, e, até Emma, eu não tinha tanta certeza de que eu os possuía, afinal. Jamais presenciara qualquer melancolia exterior à mente e à alma das pessoas, nunca havia chorado por desesperança ou por desespero profundo com a inexorabilidade que rege esse inconsistente e inexato mundo. A minha mente procurava se ocupar com as pedras da calçada, com a correnteza eterna do rio, com o cotidiano encarado como cotidiano. Não percebia beleza alguma. Me parecia essencial, ridículo e completamente natural o verde das plantações, o céu azul salpicado pelas pequenas nuvens brancas, o fluxo da água, tudo isso tão maior que nós e, ao mesmo tempo, tão despretensioso. Gente como aquela gente que vive por lá não sabe ver beleza mesmo. Não entende que, restrita da náusea, do pavor, do susto e do desejo, a beleza é só mais um aspecto desprezível que compõe o todo. Ademais, não poderia ousar dizer que os homens evitavam qualquer espécie de sentimento forte o bastante para ser distinguido da calmaria eterna e estável em que se encontravam constantemente; entretanto, afinal, como nenhum desses sentimentos se revelava por espontâneo em suas vidas, e, óbvio, ninguém possuía a audácia de os procurar e perseguir, o amor, a tristeza, o ódio e a felicidade íntima eram todos ignorados ou nulos no coração das pessoas, não mais que invisíveis presenças que haviam deixado há muito aqueles espíritos incolores e solidificados.
Não conversei com Emma na primeira vez em que eu a vi. Aliás, sempre era ela que conversava comigo, e não o contrário. Por estar tão absorto nesse miasma sufocante, uma mistura de paralisia com ignorância, não tive nem a capacidade de interpretar os meus próprios impulsos e perceber como, desde o primeiro olhar interceptado, fiquei impressionado por ela, estranhamente hipnotizado por tudo o que ela representava. Emma não era nova em Monte Rio, já morava lá há uns 3 ou 4 anos e, como todas as suas características externas e internas denunciavam, ela não era uma nativa que nem eu. Nascida em San Diego, foi criada principalmente pela mãe, porque seu pai passara um tempo na cadeia quando ela era menor, por algum motivo qualquer. Era uma menina dotada do mais liberto e inocente espírito que eu já havia notado, não que eu soubesse diferenciar as idiossincrasias de cada indivíduo e decifra-las antes de conhecer Emma melhor, porém, mesmo em toda a minha ignorância, pude perceber o quão especial e distinta e, conseqüentemente, solitária ela era. Mudou-se junto com seu pai para Monte Rio quando sua mãe faleceu; o porquê de sua morte nunca me foi revelado e, penso agora, provavelmente nem ela mesma sabia qual era. Era alta para sua idade, e emanava um algo intrínseco e indefinível, um sabor igualmente atraente e repelente. Não foram poucas as pessoas que, assim que sentiam essa energia inerente a ela, assustavam-se, mesmo que inconscientemente, por estarem desacostumados com uma presença tão notável. E, assim, gradativamente se afastavam de Emma. E em um lugar restrito como Monte Rio, não existiam pessoas o suficiente para agüentar a fortaleza espiritual que ela era. A sua criatividade imprevisível, suas explosões de sentimentos, a sua percepção aguçada e sensorial, sua risada que se desencadeava como uma combustão, sua sensibilidade instintiva, sua condescendência aparentemente imperceptível e oculta, todas as suas particularidades irreprimíveis a tornavam a pessoa mais imperfeita, mais irresponsável, mais irreverente e mais esquisita que eu já havia conhecido. E, ao mesmo tempo, a pessoa mais honesta também. Ou a única pessoa honesta que eu já vi em toda essa minha vida. Sei que, com o passar do tempo, apesar de nenhum desses traços de sua personalidade que costumeiramente repeliam as pessoas ter se abrandado ou se metamorfoseado em algo positivo, ela foi se tornando, aos poucos, perfeita. Perfeita para mim. Mesmo com todos os seus defeitos tão repreensíveis. Foi então que perdi todos os meus antigos parâmetros, que me afundei na água mais lamacenta da humanidade e dei onze cambalhotas e deixei apenas os meus pés respirarem, por saber agora que a minha cabeça e as minhas idéias não serviriam para nada. Pude perceber que o certo e o errado são puras convenções e, como tais, são efêmeras e mutáveis; aprendi que toda essa noção do moralmente correto é uma ilusão, o legal e o ilegal; passei a assistir cavalos cagando e chegava a apreciar o espetáculo escatológico e a sua controversa essencialidade e beleza, pura, simples e fedida.
Não conversei com Emma na primeira vez em que eu a vi. Aliás, sempre era ela que conversava comigo, e não o contrário. Por estar tão absorto nesse miasma sufocante, uma mistura de paralisia com ignorância, não tive nem a capacidade de interpretar os meus próprios impulsos e perceber como, desde o primeiro olhar interceptado, fiquei impressionado por ela, estranhamente hipnotizado por tudo o que ela representava. Emma não era nova em Monte Rio, já morava lá há uns 3 ou 4 anos e, como todas as suas características externas e internas denunciavam, ela não era uma nativa que nem eu. Nascida em San Diego, foi criada principalmente pela mãe, porque seu pai passara um tempo na cadeia quando ela era menor, por algum motivo qualquer. Era uma menina dotada do mais liberto e inocente espírito que eu já havia notado, não que eu soubesse diferenciar as idiossincrasias de cada indivíduo e decifra-las antes de conhecer Emma melhor, porém, mesmo em toda a minha ignorância, pude perceber o quão especial e distinta e, conseqüentemente, solitária ela era. Mudou-se junto com seu pai para Monte Rio quando sua mãe faleceu; o porquê de sua morte nunca me foi revelado e, penso agora, provavelmente nem ela mesma sabia qual era. Era alta para sua idade, e emanava um algo intrínseco e indefinível, um sabor igualmente atraente e repelente. Não foram poucas as pessoas que, assim que sentiam essa energia inerente a ela, assustavam-se, mesmo que inconscientemente, por estarem desacostumados com uma presença tão notável. E, assim, gradativamente se afastavam de Emma. E em um lugar restrito como Monte Rio, não existiam pessoas o suficiente para agüentar a fortaleza espiritual que ela era. A sua criatividade imprevisível, suas explosões de sentimentos, a sua percepção aguçada e sensorial, sua risada que se desencadeava como uma combustão, sua sensibilidade instintiva, sua condescendência aparentemente imperceptível e oculta, todas as suas particularidades irreprimíveis a tornavam a pessoa mais imperfeita, mais irresponsável, mais irreverente e mais esquisita que eu já havia conhecido. E, ao mesmo tempo, a pessoa mais honesta também. Ou a única pessoa honesta que eu já vi em toda essa minha vida. Sei que, com o passar do tempo, apesar de nenhum desses traços de sua personalidade que costumeiramente repeliam as pessoas ter se abrandado ou se metamorfoseado em algo positivo, ela foi se tornando, aos poucos, perfeita. Perfeita para mim. Mesmo com todos os seus defeitos tão repreensíveis. Foi então que perdi todos os meus antigos parâmetros, que me afundei na água mais lamacenta da humanidade e dei onze cambalhotas e deixei apenas os meus pés respirarem, por saber agora que a minha cabeça e as minhas idéias não serviriam para nada. Pude perceber que o certo e o errado são puras convenções e, como tais, são efêmeras e mutáveis; aprendi que toda essa noção do moralmente correto é uma ilusão, o legal e o ilegal; passei a assistir cavalos cagando e chegava a apreciar o espetáculo escatológico e a sua controversa essencialidade e beleza, pura, simples e fedida.
domingo, 26 de julho de 2009
Sobre Lembranças.
Pessoas que pensam,
pessoas que falam,
como existem.
A soberba,
a mentira cristalizada,
encrustada no fundo interior escuro
& inexorável.
Devagar, reclamo,
Altitude, leviandades,
prolificidade é a sombra do gênio;
é a marca diferencial da mente fluida,
do molde indefinido e,
paradoxalmente:
estabilidade é o rumo ao naufrágio,
à moribunda criatividade:
Se pudesse,
e fosse tão menos calculado,
falaria sobre "nós".
Sobre como "nós" somos
todos irrepreensíveis
todos errados,
Petulantes e mórbidos,
anestesiados da vida,
desdobramo-nos em frivolidades
ao rugir do desencanto ignorado,
à luta solitária e mágica
travada contra sua Humanidade,
o nosso ceticismo.
Marginalimo-nos por cima,
prendemo-nos a nossas camas,
judiamos da honestidade,
Destratada inocência:
há longo esquecida e enterrada,
por toneladas e toneladas
de maladragem e autoconfiança,
em petulância e prepotência.
O olho se revira,
se revolta,
e não evita o de cima-para-baixo
Não há mais acalantos
capazes de destoar ou fragmentar
a desesperança,
e o sono é a presença aterradora
que mais me mina.
Quanto mais tenho para dizer,
menos logro em me expressar.
Quanto mais balbucio disformemente,
doente, sádico, sórdido,
mais próximo do ser Humano me sinto.
pessoas que falam,
como existem.
A soberba,
a mentira cristalizada,
encrustada no fundo interior escuro
& inexorável.
Devagar, reclamo,
Altitude, leviandades,
prolificidade é a sombra do gênio;
é a marca diferencial da mente fluida,
do molde indefinido e,
paradoxalmente:
estabilidade é o rumo ao naufrágio,
à moribunda criatividade:
Se pudesse,
e fosse tão menos calculado,
falaria sobre "nós".
Sobre como "nós" somos
todos irrepreensíveis
todos errados,
Petulantes e mórbidos,
anestesiados da vida,
desdobramo-nos em frivolidades
ao rugir do desencanto ignorado,
à luta solitária e mágica
travada contra sua Humanidade,
o nosso ceticismo.
Marginalimo-nos por cima,
prendemo-nos a nossas camas,
judiamos da honestidade,
Destratada inocência:
há longo esquecida e enterrada,
por toneladas e toneladas
de maladragem e autoconfiança,
em petulância e prepotência.
O olho se revira,
se revolta,
e não evita o de cima-para-baixo
Não há mais acalantos
capazes de destoar ou fragmentar
a desesperança,
e o sono é a presença aterradora
que mais me mina.
Quanto mais tenho para dizer,
menos logro em me expressar.
Quanto mais balbucio disformemente,
doente, sádico, sórdido,
mais próximo do ser Humano me sinto.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Até a chuva me lavar
Como eu poderia fazer diferente?
O esforco é solitário, sua essência é o clamor pela lua brilhante na noite que escurece;
Chamo porque não sei mais quem sou
Chamo pela perda da identidade que eu nunca possui
(E a mentira que grita por dentro dos coracões encarcerados, ansiosa para poder ser vista e ter a atencão que merecia, é como toda essa eletricidade eterna deveria ser encarada em olhos vermelhos e flautas tão antigas que não me lembro mais do que instigava para contar)
O conto é a arte mais maravilhosa.
Triste poderio alcanca o mar;
O azul me dissolve e nele eu me embriago.
O esforco é solitário, sua essência é o clamor pela lua brilhante na noite que escurece;
Chamo porque não sei mais quem sou
Chamo pela perda da identidade que eu nunca possui
(E a mentira que grita por dentro dos coracões encarcerados, ansiosa para poder ser vista e ter a atencão que merecia, é como toda essa eletricidade eterna deveria ser encarada em olhos vermelhos e flautas tão antigas que não me lembro mais do que instigava para contar)
O conto é a arte mais maravilhosa.
Triste poderio alcanca o mar;
O azul me dissolve e nele eu me embriago.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Confonetes
Chamando para a coroação imperial! Trajes vulgares, coturnos e sobremesas adocicadas como ingresso, para a nova patavinidade que chega.
As companhias de terraplanagem não se cansam!
Mais e mais longe, o quão longe possível que se der,
colônias do mar! O absurdo nunca é avulso, afinal, tupiniquins agora velejam à onda medieval!
Avante, terras nobres, rumo às chances de amores perdidos!
"G&O, trazendo seu ponto emergente no Índico mais perto de você, criando lares para corações partidos!"
& a sua mágica intuição.
As companhias de terraplanagem não se cansam!
Mais e mais longe, o quão longe possível que se der,
colônias do mar! O absurdo nunca é avulso, afinal, tupiniquins agora velejam à onda medieval!
Avante, terras nobres, rumo às chances de amores perdidos!
"G&O, trazendo seu ponto emergente no Índico mais perto de você, criando lares para corações partidos!"
& a sua mágica intuição.
sábado, 13 de junho de 2009
Sorte Demais
Pois se acaba o mundo,
e só ficou você,
e com isso aprende a sobreviver só,
só depois de todo o resto sumir,
só quando não há mais frutas nas árvores
& animais na terra & peixes na água,
sem espelho para saber que existe,
aprende a sobreviver,
mas sabe que está morto também.
e só ficou você,
e com isso aprende a sobreviver só,
só depois de todo o resto sumir,
só quando não há mais frutas nas árvores
& animais na terra & peixes na água,
sem espelho para saber que existe,
aprende a sobreviver,
mas sabe que está morto também.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Uso Utópico
Que, se eu pudesse, teria para mim todo o seu coração e todo o seu amor. Quando não pude evitar os meus olhos se desviando para você, quando meu olhar encontrou o olhar que desejou contemplar pela eternidade no seu, foi quando perdi a mim mesmo. E não sinto a minha falta. Sou eu em você, e com você em mim, a saudade não dói tanto. Não me perturba nem um pouco a idéia de só encontrar você durante toda a minha vida e perder o chão e o teto e as paredes também.
Trópico
Para quem tudo é óbvio,
o óbvio perde a distinção.
Para quem junta pedaços,
pedaços se tornam um todo.
Para quem enxerga descolorido,
o azul do céu é inconcebível.
Para quem cujas almas são de secura,
um olhar apaixonado é um oásis.
Para quem vive de amor,
mais amor sempre existirá
e mais amor será desejado.
Se eu perdesse o seu olhar,
e no meu desejo ele fosse impossível,
racharia até secar inteiro.
o óbvio perde a distinção.
Para quem junta pedaços,
pedaços se tornam um todo.
Para quem enxerga descolorido,
o azul do céu é inconcebível.
Para quem cujas almas são de secura,
um olhar apaixonado é um oásis.
Para quem vive de amor,
mais amor sempre existirá
e mais amor será desejado.
Se eu perdesse o seu olhar,
e no meu desejo ele fosse impossível,
racharia até secar inteiro.
domingo, 31 de maio de 2009
Na Garrafa
Querida Araucária, não se deixe angustiar mais ainda, eu lhe peço, por favor e por mim. Já faz muito, muito tempo agora, mas não é com descontentamento que me lembro desse interrompimento em nossas vidas, por outro lado, esses anos se descontaram em minha pessoa como alguns dos minutos mais graciosos que já tive a boa-aventurança de presenciar. Por isso, não se deixe angustiar, tudo que caiu sobre você injetou lhe algum aprendizando, alguma lembrança ruim, alguma sinestesia nostalgica e mágica, de sua vida você conseguiu extrair o que precisou. No barco que remo agora, escrevendo em um antigo folheto de papiro, rogo para que as ondas salgadas não o dissolvam e nem a mim, para talvez te ver de novo.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Monólogo ao Emburrecimento (Fechamento Tedioso de Circulações Ilegais)
Se te grita é por desacato:
Não há, nunca houve a menor distinção:
Só poderia ser assim, e assim se segue sendo:
Pela metavida comentada a cada instante, e se torna seu próprio narrador:
Não haveria e não há porquês de tanta fala, mesmo dessa maneira:
O que se pensa que se diz é ilusão, crateras de desentendimento aqui:
Se aprofunda aqui, chora aqui, faz teu maremoto AQUI:
Tudo já foi sentido e o falso ineditismo é tão narcisista que não cansa de aparecer:
Resolve isso para mim que eu não tenho como:
Eu não entendo mais nada, eu só tento (nem isso, nem isso):
Cada desculpa se procede se desculpando a desculpa seguinte a seguir:
Me dá um tempo para poder arrumar as coisas na cabeça:
(Mal tenho coisas na cabeça; já não tenho mais cabeça para guardar tantas objeções; o depósito de entulhos é mais adiante:
Ainda mais:):
Só me sinto errado me criando tão legal no espelho:
Arranho esses braços e tento arrancar esses olhos que se avermelham:
Só me sinto frívolo ao redor de um corpo inerte:
Só me sinto encurralado quando não consigo mais me mexer e há tanta gente ao meu redor me circulando em volta de mim:
Sei que fecho:
Vou pedir só mais uma desculpa:
Querer só mais uma chance de me explicar:
O que eu digo para me fazer entender é esse grito em uníssom, esse grito adiado até então:
Quando se autoapresenta, o homem é uma mancha de sangue:
É a perna curta que não aguenta muito antes de cair ao chão:
Para se ter espelhos numa casa cheia de espelhos precisa-se ter de antemão uma face:
Para escrever, a coluna endireitada:
Para escrever, o senso de inferioridade é egocentrismo doente & mundano:
Explicações e desculpas para procurar se fazer entender é só o que é:
Se fazer entender que existe algo para ser expresso em seguida:
Quando, na verdade, é paralisia:
SAIO DAQUI! NÃO HÁ VOCÊ QUE SEJA MAIOR QUE NADA!
Não há, nunca houve a menor distinção:
Só poderia ser assim, e assim se segue sendo:
Pela metavida comentada a cada instante, e se torna seu próprio narrador:
Não haveria e não há porquês de tanta fala, mesmo dessa maneira:
O que se pensa que se diz é ilusão, crateras de desentendimento aqui:
Se aprofunda aqui, chora aqui, faz teu maremoto AQUI:
Tudo já foi sentido e o falso ineditismo é tão narcisista que não cansa de aparecer:
Resolve isso para mim que eu não tenho como:
Eu não entendo mais nada, eu só tento (nem isso, nem isso):
Cada desculpa se procede se desculpando a desculpa seguinte a seguir:
Me dá um tempo para poder arrumar as coisas na cabeça:
(Mal tenho coisas na cabeça; já não tenho mais cabeça para guardar tantas objeções; o depósito de entulhos é mais adiante:
Ainda mais:):
Só me sinto errado me criando tão legal no espelho:
Arranho esses braços e tento arrancar esses olhos que se avermelham:
Só me sinto frívolo ao redor de um corpo inerte:
Só me sinto encurralado quando não consigo mais me mexer e há tanta gente ao meu redor me circulando em volta de mim:
Sei que fecho:
Vou pedir só mais uma desculpa:
Querer só mais uma chance de me explicar:
O que eu digo para me fazer entender é esse grito em uníssom, esse grito adiado até então:
Quando se autoapresenta, o homem é uma mancha de sangue:
É a perna curta que não aguenta muito antes de cair ao chão:
Para se ter espelhos numa casa cheia de espelhos precisa-se ter de antemão uma face:
Para escrever, a coluna endireitada:
Para escrever, o senso de inferioridade é egocentrismo doente & mundano:
Explicações e desculpas para procurar se fazer entender é só o que é:
Se fazer entender que existe algo para ser expresso em seguida:
Quando, na verdade, é paralisia:
SAIO DAQUI! NÃO HÁ VOCÊ QUE SEJA MAIOR QUE NADA!
Pomba (Branca ou Neve)
Ela paira devagar na névoa indefinida, sobre a angulosa linha de separação do sacralizado e dessacralizado. Quando Lhe pedem, por um exemplo que talvez venha a ser esclarecedor, um copo d'água, o choro vem como se Lhe estivessem roubando a parte mais importante de seu ser, a parte que remente às memórias salubres de tempos diferentes, colheita de alegria, copos d'água em abundância. Peça um sorriso, é choro.
Esqueça o pensar. Só assim pode-se ver Seu rosto. Deixe Ela poder parar de brilhar, esqueça o peso de quem se põe em sua em frente (não esqueça de quem a pôs lá), de como reagir ou se deveria o fazer de qualquer maneira. Brinca, senão Ela se dispõe a lacrimejar. Brinca e esquece.
Esqueça o pensar. Só assim pode-se ver Seu rosto. Deixe Ela poder parar de brilhar, esqueça o peso de quem se põe em sua em frente (não esqueça de quem a pôs lá), de como reagir ou se deveria o fazer de qualquer maneira. Brinca, senão Ela se dispõe a lacrimejar. Brinca e esquece.
Dia de Padronização
Se nem mais o próprio o Coelho em pessoa liga mais para o monóculo perdido, quem sou eu para intervir? Maio, me reembolse.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Para o filhote marrom.
Queima esta minha mão que não faz bem;
Em devaneios que desejei com a força mesma que tento me agarrar à corda que me segura, que, seguro assim contra a gravidade para os medos não descerem e, atolados, poderem me atormentar aqui em cima e me lembrar o qual é o meu porquê de estar aqui (mesmo preso na inconsistência), eu vi que podia abrandar toda a dor. Era tudo mentira, o azul do céu é um espelho para a mentira, que de azul, nada tem.
Por isso, queima esta minha mão. Não a deixa apertar mais a ninguém, mais a nada que possa se sentir aquecendo.
A pedra vermelha está boa.
No ponto.
No ponto.
Por favor.
(Deixe tudo arrumado.)
Em devaneios que desejei com a força mesma que tento me agarrar à corda que me segura, que, seguro assim contra a gravidade para os medos não descerem e, atolados, poderem me atormentar aqui em cima e me lembrar o qual é o meu porquê de estar aqui (mesmo preso na inconsistência), eu vi que podia abrandar toda a dor. Era tudo mentira, o azul do céu é um espelho para a mentira, que de azul, nada tem.
Por isso, queima esta minha mão. Não a deixa apertar mais a ninguém, mais a nada que possa se sentir aquecendo.
A pedra vermelha está boa.
No ponto.
No ponto.
Por favor.
(Deixe tudo arrumado.)
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Geléia de Cereja
Em sua plenitude, o próprio processo de exterminação de toda e qualquer espécie de "mal", de "cruel", de "egocentrista", em toda e qualquer forma adquirida, se torna mais incompreesível do que a boa ação garantida do dia de para muitas pessoas, e, assim, se revela como um reino utópico de dentro de mim, e que nunca será alcançado de tão longe. Ao menos enquanto tenho cabelo.
domingo, 10 de maio de 2009
Central de Ligações
Os filtros de pensamentos que colocaram em mim estão começando a descolar da retina do meu pensamento. A aderência já não é tão boa como antes fora, e o roxo está se azulando. Cada centímetro da roupa branca da doutora se transforma em mares e ondas recheadas por sabe-se-deus-o-quê, e assim desconexo do resto do mundo não branco que se deslumbra defronte meus olhos cansados mas extasiados (com a simples possibilidade de visão inédita, o ineditismo deixou de participar da vida diária que sempre tenho que levar, ou me levo a pensar que tenho que leva-la, não concluo nada de antemão) e é significativamente o mar de distância entre o coração central interpessoal que é o objetivo singular, e eu. Eu sou tão errado.
E perdi a minha visão.
E perdi a minha visão.
Parada respiratória.
Quem procura versos antigos demais só encontra calçada,
esculturas de gesso deitadas na garagem da frente,
quebradiças como essas algemas deveriam ser.
Mas ela apenas não se cuida,
esquece das anfetaminas nos concentrados artísticos,
aumenta a queda por cada tentativa persistente.
Para cada lance de degraus que desaparece,
para trás e por debaixo das solas gastas,
a temperatura sobe e as apostas correm.
Corre também quem precisa,
quem procura precisar se abaixa quando tempesteia,
a flor de vento que envolve e deixa um beijo para
ser esquecida depois de marcada como um sinal de outros tempos.
Que sempre serão de ouro, quando visitarmos o futuro,
o que aguardar para o passado trazer
mais para perto e poder, assim, esquecer?
(Só lamentos para os que são nobres:
"Sua disposição matinal lhe enterrou nas fronhas mal-lavadas, meu senhor."
Cicatrizes que vingam ao lhe pintarem a flácidez indiferente da pele branca,
a indizível falta do que dizer pela perfeição não idealizada pelo faxineiro do tempo, -
eu não quero limpar restos não usados.
"Se faço o que deve ser feito é porque preciso fazer o que é preciso que eu faça feito.
Quando canso é que logo lembro que não sou quem finjo ser. Deveria parar agora mesmo, só me engano, humanitário, baboseira. Filantropia é a tentação infernal de pagar pelos pecados, é a maneira mais indigna e cômoda de procurar exterminar todo o ressentimento roxo que me contamina os poros e me faz chorar em toda noite verdadeiramente bela, enquanto a honestidade dentro das demais pessoas as faz aproveitar toda a grandiloquência dessa falta de exatidão no mundo."
"Tudo de que eu preciso é comida no final do dia, o resto são devaneios de quem veio ao mundo com mãos sem calos."
"Você é uma princesa por não se atormentar."
Os calos não respondem.
A noção de propriedade, de persona, de egocentrismo mental, a simples noção do "eu" não tem espaço nessa história. É tudo baboseira.)
É muito fácil enrolar linhas,
é muito fácil sorrir no final,
vestir-se e despir-se,
aproveitar os momentos,
sorrir no final.
Se eu soubesse o que é difícil não estaria aqui,
eu teria fronhas sujas.
(E espero. Até lá ninguém as lava.)
esculturas de gesso deitadas na garagem da frente,
quebradiças como essas algemas deveriam ser.
Mas ela apenas não se cuida,
esquece das anfetaminas nos concentrados artísticos,
aumenta a queda por cada tentativa persistente.
Para cada lance de degraus que desaparece,
para trás e por debaixo das solas gastas,
a temperatura sobe e as apostas correm.
Corre também quem precisa,
quem procura precisar se abaixa quando tempesteia,
a flor de vento que envolve e deixa um beijo para
ser esquecida depois de marcada como um sinal de outros tempos.
Que sempre serão de ouro, quando visitarmos o futuro,
o que aguardar para o passado trazer
mais para perto e poder, assim, esquecer?
(Só lamentos para os que são nobres:
"Sua disposição matinal lhe enterrou nas fronhas mal-lavadas, meu senhor."
Cicatrizes que vingam ao lhe pintarem a flácidez indiferente da pele branca,
a indizível falta do que dizer pela perfeição não idealizada pelo faxineiro do tempo, -
eu não quero limpar restos não usados.
"Se faço o que deve ser feito é porque preciso fazer o que é preciso que eu faça feito.
Quando canso é que logo lembro que não sou quem finjo ser. Deveria parar agora mesmo, só me engano, humanitário, baboseira. Filantropia é a tentação infernal de pagar pelos pecados, é a maneira mais indigna e cômoda de procurar exterminar todo o ressentimento roxo que me contamina os poros e me faz chorar em toda noite verdadeiramente bela, enquanto a honestidade dentro das demais pessoas as faz aproveitar toda a grandiloquência dessa falta de exatidão no mundo."
"Tudo de que eu preciso é comida no final do dia, o resto são devaneios de quem veio ao mundo com mãos sem calos."
"Você é uma princesa por não se atormentar."
Os calos não respondem.
A noção de propriedade, de persona, de egocentrismo mental, a simples noção do "eu" não tem espaço nessa história. É tudo baboseira.)
É muito fácil enrolar linhas,
é muito fácil sorrir no final,
vestir-se e despir-se,
aproveitar os momentos,
sorrir no final.
Se eu soubesse o que é difícil não estaria aqui,
eu teria fronhas sujas.
(E espero. Até lá ninguém as lava.)
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Fora de mim.
Não posso mais ser estático
como pude ser estático,
isso é paralisia?
E esperando pelas curvas
que ainda não foram avistadas
no céu, nas nuvens, na única estrela dessa noite
de quando tudo já se foi
e na minha ressaca de espírito e corpo
não há nada mais que não se enfureça
nada mais que não se turve
é chuva, é tempestade
antes que ela me chacoalhe
eu quero ser ela também
e talvez, ela queira me ser
ela disse que não,
eu não me molhei,
eu não sou tempestade,
você me sacuda toda manha
para que eu esqueça
que sou apenas poeira
sou apenas aspirado quando venta
e massacrado quando ouço
queimado como um carvão no fogo
e o peso nas costas
não ajuda na tempestade
quando serei
ela é tempestade.
mas a tempestade é maior
mas em mim não é
é maior apenas para quem se sujeita
a ser digno
a falar sobre o futuro com certeza
a falar algo.
sou estático demais para falar
mesmo quando as palavras cravam
é impossível,
é paralisia,
não sou de tempestade.
como pude ser estático,
isso é paralisia?
E esperando pelas curvas
que ainda não foram avistadas
no céu, nas nuvens, na única estrela dessa noite
de quando tudo já se foi
e na minha ressaca de espírito e corpo
não há nada mais que não se enfureça
nada mais que não se turve
é chuva, é tempestade
antes que ela me chacoalhe
eu quero ser ela também
e talvez, ela queira me ser
ela disse que não,
eu não me molhei,
eu não sou tempestade,
você me sacuda toda manha
para que eu esqueça
que sou apenas poeira
sou apenas aspirado quando venta
e massacrado quando ouço
queimado como um carvão no fogo
e o peso nas costas
não ajuda na tempestade
quando serei
ela é tempestade.
mas a tempestade é maior
mas em mim não é
é maior apenas para quem se sujeita
a ser digno
a falar sobre o futuro com certeza
a falar algo.
sou estático demais para falar
mesmo quando as palavras cravam
é impossível,
é paralisia,
não sou de tempestade.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
sábado, 18 de abril de 2009
Sobre durações e sobre pranchas de solas.
Estou esperando para ser acolhido, em minhas bermudas para cima do joelho, esperando pela época da colheita, em meus ramos de trigo de cada orelha.
Mas, por enquanto, andarei o quanto essas solas suportarem, o quanto a sombra durar.
Mas, por enquanto, andarei o quanto essas solas suportarem, o quanto a sombra durar.
Gemido
Por que todos são tão ávidos em seus desejos de importância? Por que, não mais no campo dos desejos, todos já se acham importantes? NINGUÉM O É. NINGUÉM PODE SER.
Grito aos meteoritos
O último que sobrar vai ser apagado
espero por isso
temo que seja eu
na verdade, desejo
porque agora
tudo não significa mais que você me tirou mais lágrimas
do que podia, na verdade,
desejo.
não significa mais que você esqueceu de remendar
todos os pedaços do meu coração tão metafórico
personificado em insegurança e trabalho nada duro
nada, nada,
duro.
como pode? como pude?
pode ser que eu me esqueça,
não significa mais que você me esqueça, do eu te esqueça, do que eu me amarre às suas vagas insalubres suposições de como tudo deveria ser,
fundamento.
na verdade, desejo
de poder ir e vir e tudo continuar
como nunca foi.
espero por isso
temo que seja eu
na verdade, desejo
porque agora
tudo não significa mais que você me tirou mais lágrimas
do que podia, na verdade,
desejo.
não significa mais que você esqueceu de remendar
todos os pedaços do meu coração tão metafórico
personificado em insegurança e trabalho nada duro
nada, nada,
duro.
como pode? como pude?
pode ser que eu me esqueça,
não significa mais que você me esqueça, do eu te esqueça, do que eu me amarre às suas vagas insalubres suposições de como tudo deveria ser,
fundamento.
na verdade, desejo
de poder ir e vir e tudo continuar
como nunca foi.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Diferença é ilusão, é prepotência, é mentira.
"A gente faz o que a gente precisa."
"Cada um faz o que pode."
...
"A gente faz o que a gente precisa." .
...
!
ME SENTI RIDÍCULO
"Cada um faz o que pode."
...
"A gente faz o que a gente precisa." .
...
!
ME SENTI RIDÍCULO
terça-feira, 7 de abril de 2009
Lição sobre racionalidade em casos macho/fêmea estéreis
O quão imenso e avassalador um desvario momentâneo de dor nos dedos e articulações pode se tornar? Quais as sua possíveis proporções? Em português, por favor.
Azombrio
Percebi outro dia mesmo, dia de ontem eterno na minha cabeça, que quando criança sempre tive medo do escuro, do que ele escondia ou talvez de como ele nada escondia e apenas mentia para mim, e dessa maneira sempre evitei corredores escuros e segurava o mijo o máximo possível antes de criar coragem e correr através de escadas mirabolantes e enevoadas em breu para o meu abrigo seguro, luminoso e com uma privada. Estava no meio da noite sozinho, quando sentiu-se em mim o mesmo medo palpável e acanhado de anos atrás. O escuro se lembrou de que eu nunca perdi o medo, apenas tive que suportá-lo para poder aproveitar os poucos momentos escuros e solitários que me sobram depois de uma totalidade de visões impossíveis na luz de um dia, para assim afugentar a realidade sórdida e a tristeza estampada claramente nas faces que vi nesse dia e assim esquecer quem eu fui para me perder no doce medo do mistério e abrir as cortinas da janela da escuridão, tão mas tão mais suportável do que o efeito que não se esvai do contato com vidas demais cravado à ferro em minha pele de espuma.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
hit
Todo mundo só quer ter certeza de suas anomalias e anormalidades, todo mundo só quer suspirar fogo.
E ninguém admite.
E ninguém admite.
sábado, 4 de abril de 2009
Nós tamos numa boa pescando pessoas no mar
mas todas que eu pesquei foram bocadas exageradas empapadas em açúcar e glitter, todas usavam mais rosas no cabelo do que o aprazível.
PARE
EU QUERO QUE SEJA FÁCIL PORQUE SE NÃO FOR SE NÃO FOR EU VOU ME AFOGAR POR QUERER PORQUE MESMO QUE EU NÃO QUEIRA NÃO PODEREI FAZER MAIS NADA PORQUE NÃO SUPORTO O POUCO DIFÍCIL O NADA POUCO FÁCIL PORQUE NUNCA PUDE FAZER NADA QUANTO A NADA PORQUE NUNCA ACHEI O MEU PORQUÊ PORQUE LOGO NÃO VOU MAIS TER O QUE CULPAR E VOU BOTAR PARA FORA E NÃO VAI SER FÁCIL
Introdução à razão do gás de isqueiro.
Uma hora isso vai ter que parar. Uma hora.
Acho que já não está ao meu alcance.
Espero que não.
Senão, morrerei quando não tiver mais ninguém para culpar.
E me olharei no espelho,
e não terei dormido por 3 dias,
e me sentirei muito decadente
e talvez fique com nojo
quando pensar que isso talvez valha a pena
que talvez se eu eliminar o talvez a certeza virá
mais fácil, assim.
É fácil.
Não preciso mais de nada disso, eu direi.
Hoje eu não digo isso,
hoje eu não minto,
guardo para amanhã e para ontem,
depois de amanhã e antes de ontem.
Acho que já não está ao meu alcance.
Espero que não.
Senão, morrerei quando não tiver mais ninguém para culpar.
E me olharei no espelho,
e não terei dormido por 3 dias,
e me sentirei muito decadente
e talvez fique com nojo
quando pensar que isso talvez valha a pena
que talvez se eu eliminar o talvez a certeza virá
mais fácil, assim.
É fácil.
Não preciso mais de nada disso, eu direi.
Hoje eu não digo isso,
hoje eu não minto,
guardo para amanhã e para ontem,
depois de amanhã e antes de ontem.
intransitivel
Muito já foi dito sobre cabeças vazias. Muito já foi dito sobre a falta de significado do dia a dia, da falta de vida nos corpos que nos cercam. Muito já foi dito sobre a falta de qualquer algo de concreto de exprimível que exista ou que possa ser criado a partir mesmo da inexistência, estou falando da falta de tudo isso, muito já foi dito sobre tudo isso. Muito já foi tirado do vazio e do vácuo e da falta de sentido das nossas vidas, o nada já foi a inspiração para tantos. Mas não para mim. Estou lutando agora mesmo com esse teclado esse filho da puta que é tudo para mim para escrever a próxima letra masnão sei se vou conseguir termin
Eu ando cansado de ter um eterno vácuo na cabeça
Os cérebros estão todos ruins. Os corações que já se amoleceram, o tempo que não é mais passado consigo mesmo, o meu tempo que não é mais meu. O sentido que foi embora.
A objetividade traduzida por falta de inteligência nessas frases vazias de mentes vazias está começando a me dar coceiras e incômodos cerebrais, penso de menos, penso demais em como ando pensando de menos.
É sempre assim.
Sempre pensando sobre pensar, sempre o metapensamento, a metavida, a metarealização, a metalinguagem, o falar do falar, estamos sempre colocando caixas por cima de caixas para empilhar mais uma caixa, se couber, é claro, ninguém aqui quer que não haja mais espaço para as caixas empilhadas, ninguém quer prensa-las ao teto, feito de caixas. Estamos procurando demais, eu ando procurando demais, teorizando demais acerca do nada. Do nada nada se tira, do tudo, igualmente, pelo menos a iniciativa de abrir os olhos de manhã ou fechar de noite eu deveria ter, e no meio termo talvez expulsar de algum jeito algo de dentro de mim.
Algo de dentro de mim, que não faz nem mais sentido.
Que talvez nunca tenha feito. Que talvez, nem exista de qualquer jeito, mas nessa disparidade de coesões não me interessa mais isso, porque se eu retirar qualquer coisa de dentro de mim, por mais superficial ou fedida que ela seja, eu a amarei e a adorarei como se fosse a minha própria extensão. A mentira está em eu amar minha extensão e não me amar, a mentira está em eu dizer que amo a minha extensão e dizer que não me amo, a mentira está em eu achar que amo alguma coisa, a mentira está em eu dizer que eu preciso te precisar. A mentira é que eu não consigo me largar, a mentira é que os cadarços mais apertados são os que me fazem suar menos.
E por isso que eu sempre digo que eu acho. Por isso que grito para me ser prendido em alguém, por isso juro que luto juro que só não me solto pelo bem alheio, juro que na minha atitude altruísta me virá a iluminação depois quando estiver esmolando minha própria alma nos becos cegos das ruas sem iluminação das mentes absortas em recreacionismos.
E por isso não consigo ser um prolixo. E por isso tiro o não e o prefiro pro. E por isso prefiro me olhar no reflexo da janela antes do que no reflexo do espelho. E por isso não acredito na honestidade. E por isso não acredito na minha capacidade. E por isso minto toda hora. E por isso não paro de me aumentar em meu rebaixamento. E por isso desejo chocolates para nunca mais come-los. E por isso e por isso e por isso. E por isso sempre arranjando desculpas sempre arranjando arranjos que nem todos que respiram que pensam que pensam mas não pensam que procuram o improcurável que vêem o segredo fazem.
Ou deveriam.
A objetividade traduzida por falta de inteligência nessas frases vazias de mentes vazias está começando a me dar coceiras e incômodos cerebrais, penso de menos, penso demais em como ando pensando de menos.
É sempre assim.
Sempre pensando sobre pensar, sempre o metapensamento, a metavida, a metarealização, a metalinguagem, o falar do falar, estamos sempre colocando caixas por cima de caixas para empilhar mais uma caixa, se couber, é claro, ninguém aqui quer que não haja mais espaço para as caixas empilhadas, ninguém quer prensa-las ao teto, feito de caixas. Estamos procurando demais, eu ando procurando demais, teorizando demais acerca do nada. Do nada nada se tira, do tudo, igualmente, pelo menos a iniciativa de abrir os olhos de manhã ou fechar de noite eu deveria ter, e no meio termo talvez expulsar de algum jeito algo de dentro de mim.
Algo de dentro de mim, que não faz nem mais sentido.
Que talvez nunca tenha feito. Que talvez, nem exista de qualquer jeito, mas nessa disparidade de coesões não me interessa mais isso, porque se eu retirar qualquer coisa de dentro de mim, por mais superficial ou fedida que ela seja, eu a amarei e a adorarei como se fosse a minha própria extensão. A mentira está em eu amar minha extensão e não me amar, a mentira está em eu dizer que amo a minha extensão e dizer que não me amo, a mentira está em eu achar que amo alguma coisa, a mentira está em eu dizer que eu preciso te precisar. A mentira é que eu não consigo me largar, a mentira é que os cadarços mais apertados são os que me fazem suar menos.
E por isso que eu sempre digo que eu acho. Por isso que grito para me ser prendido em alguém, por isso juro que luto juro que só não me solto pelo bem alheio, juro que na minha atitude altruísta me virá a iluminação depois quando estiver esmolando minha própria alma nos becos cegos das ruas sem iluminação das mentes absortas em recreacionismos.
E por isso não consigo ser um prolixo. E por isso tiro o não e o prefiro pro. E por isso prefiro me olhar no reflexo da janela antes do que no reflexo do espelho. E por isso não acredito na honestidade. E por isso não acredito na minha capacidade. E por isso minto toda hora. E por isso não paro de me aumentar em meu rebaixamento. E por isso desejo chocolates para nunca mais come-los. E por isso e por isso e por isso. E por isso sempre arranjando desculpas sempre arranjando arranjos que nem todos que respiram que pensam que pensam mas não pensam que procuram o improcurável que vêem o segredo fazem.
Ou deveriam.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
dominó caindo pelo lugar que cai
A falta de idéias e noções prontas ou completas ou na verdade a falta de tudo e nada parece estar em loops circulares na minha cabeça, para nunca mais parar, para nunca mais parar, para nunca mais parar, para nunca mais parar, para nunca mais parar, para nunca mais parar, para nunca mais parar, para nunca mais parar, para nunca mais parar...
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Não foi possível proc
A criação do exterior que depende do interior me deixou para trás num mar de sobriedade inédita aos meus olhos que sempre teimam em olhar adiante, me contento sempre com o branco do chão da mesa da vida em branco esperando para ser escrita e eu a esperando para me escrever e nunca vamos a lugar nenhum, porque lá estamos e é para lá que queremos ir. Preciso dormir um pouco, já estou cansado e vazio incongruente não como o vazio bardo que já cantou milhares de canções e interpretou sobre mais de centenas de corpos e aparências, somos o literal, eue eue.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
uma linha desconsoante
sombra, brando canto incantável que destoa nas paisagens de escuridões e classes ejaculadoras em aviões tão diferentes que sozinhos e sozinhos mas me causam tudo que existe para ser causado, não caíram pelo bem ou pelo mal ou pelas lágrimas hoje já secas ou talvez nenhuma mesmo, já não me acompanho mais enquanto vou borrando as fotos dos outros e superstições... não gostei de nada disso, me cansei, não queria voltar nunca mais para ver como tudo nunca muda ao mesmo tempo que tudo muda e eu continuo borrando fotos alegrantemente sem saber como fazer mas mentindo na frente do espelho: sorriso.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Particularidades
O que me resta assim que eu deixar de tentar lidar com a minha alegria com a minha felicidade da mesma maneira maníaca e decepcionante fraca que eu desisti de lidar com tudo, com a minha tristeza com a minha assombração de horror. O que seria de mim quando meu desejo se concretizasse e tudo que foi construído e levou tempo e esforço e se todo o amor que está sempre pendendo para ainda assim tentar não cair da tênue corda que se estende entre os dois arranha céus em cima de seu monociclo, o amor, é praticamente um circense maluco que se arrisca e tenta não cair mas desiste dos ventos inflamáveis que lhe tornam vento que lhe tornam evaporável, que decide por fim cair no nada ou talvez simplesmente desapareça antes de qualquer conseqüência notável diante do mundo particularmente próprio em que vivemos eu no meu você no seu e ninguém na verdade vê as mesmas coisas com os seus olhos, quem disse que vemos, ninguém na verdade entende a ninguém e se duas pessoas se atreverem a dizer que se entendem por completo pode dizer que estou maluco, xinguem-nas de estúpidas ou o que quer que seja, não quero que tudo que eu acredito simplesmente suma como tudo parece costumar sumir para mim e para todos menos os estúpidos que me provam como eu sou degradável e frágil e todo ano que passa parece me tirar um membro do meu corpo, até me contentar em ser uma unha que não pensa que não lida com alegria que foge da alegria e das responsabilidades terríveis, terríveis trazidas com ela e com o apego à ela e também não lidaria com a infelicidade a tristeza invisível numa vida sem um pouco de brilho pra fazer a comparação, a vida de um ignorante sem cérebro feito de nitrito ou algo parecido mas que tenho ainda assim fugitivo eterno de algo como sempre o algo antagonizante que me impede de me livrar de tudo e me traz alegria e tristeza e tudo mais que me tira o sentido da vida. Lixa.
Não sei nem mais escrever sem nada sem você não conseguiria.
Não sei nem mais escrever sem nada sem você não conseguiria.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
Everybody's Jumpin'
Me disseram que quando eu era criança, eu era um elefante. Mas era um truque.
Me disseram que quando eu era criança, eu era um sultão. Mas era um truque.
Me foi dito que eu nunca fui criança, me foi dito anonimamente.
Não liguei quando me vi no espelho e não era eu, mas estou começando a me preocupar.
Recebi dois pacotes no outro dia, um deles era endereçado a você. Fiquei com ele.
E no balé todas elas pularam ao mesmo tempo e sincronizaram a queda também e eu achei tão esplendoroso tudo isso que me deu vontade de dizer “ah”, me deu vontade de pular também, de um lugar mais alto.
Dave Brubeck acharia tudo isso uma grande coincidência.
Me disseram que quando eu era criança, eu era um sultão. Mas era um truque.
Me foi dito que eu nunca fui criança, me foi dito anonimamente.
Não liguei quando me vi no espelho e não era eu, mas estou começando a me preocupar.
Recebi dois pacotes no outro dia, um deles era endereçado a você. Fiquei com ele.
E no balé todas elas pularam ao mesmo tempo e sincronizaram a queda também e eu achei tão esplendoroso tudo isso que me deu vontade de dizer “ah”, me deu vontade de pular também, de um lugar mais alto.
Dave Brubeck acharia tudo isso uma grande coincidência.
sábado, 17 de janeiro de 2009
=1,11¹
E demorava cada vez mais. Ele esperava e ainda continuava esperando depois de já ter esperado bastante tempo, e ela se demorava. E parecia demorar cada vez mais, ela, que nem tinha sido chamada. Tudo se soltou em sua cabeça ao esperar e tentou contrabalancear o peso de todas as pessoas acima dele e de todo o universo e mil cosmos espirituais que o forçaram a voltar o pescoço para trás, inútil. Inútil descrever cada e qualquer ato na vida de qualquer pessoa, tudo que fazemos é inútil. As imagens que se passavam em sua cabeça também não eram boas. Esperar não é legal. Ir ao banheiro também não, mas se fazia cada vez mais necessário. Quebrar a tensão latente do desmovimento também não é legal. Isso pode ser feito com um simples movimento, mas não vamos nos ater a descrever cada pequena inutilidade que se passa dentro de sua cabeça enquanto agoniza na espera ou cada pequena batalha que se traduz como um movimento, uma respiração, um sopro capaz de alargar os oceanos daqui até a felicidade na outra borda. O vento está contra o nosso favor. Algo está? Nosso? Nem nós estamos, nem ele. Falar nós é generalizar a humanidade enquanto sem perceber já nos colocamos como parte desse grande grupo familiar, a humanidade. Bem, eu não sou um humano, não me coloco em grupo nenhum não, eu posso me recusar a dizer humanidade. Eu posso dizer eu, eu posso dizer { }. Vazio. Urina amarela e de cheiro forte lhe parecia o sinal da lenta degradação a que estava submetido desde o momento em que sua graça lhe foi concedida, graça por poder observar o mundo e atrair tudo que não deveria ser atraído e bem, rir disso depois ou agora mesmo. Também não se punha em grupo nenhum, também esperava de novo na fila dos cardíacos desejando não haver nada de errado enquanto sua cabeça já imaginava o quão bem uma doença terminal lhe faria agora. Mórbido, mórbido como a morte relatada nos diários de Napoleão acerca da urina forte e de tons queimados, que queimaram seu nariz. O nojo, o nono, a nonagésima decepção do dia e a tercina de acontecimentos fortes e pesados que não podem ser relatados mas sim, todos os banheiros deveriam ter água, descarga e papel. Se tivesse um desses três, poderia valer a pena a ida e a vinda seria reconsiderada ao encontrar a cadeira já acostumada com o formato gentil das nádegas que até então a ocupavam agora sorridente vendo acima de si uma enorme bunda com pernas capazes de alimentar uma tribo inteira dos primeiros nórdicos a habitarem a groelândia. Alguém estava feliz, a balança se inverteu, a balança da felicidade como a bolsa da economia que cresce mas um ganha e outro perde e ninguém na verdade entende como funciona mas todos querem ser algo algum dia. Durex e ponta de caneta no balcão, brincou de identificar cada vinco de seu lábio na cola do durex do durex que antes colou na boca do durex que, brincalhão, não deveria estar na boca de alguém com tanta certeza de seus atos. A inveja, o ciúmes. Nojo. A tampa não vale a pena se para isso teria de se abaixar e assim se rebaixar e assim se angustiar seu frágil estomago seus sensiveis olhos nessas horas a ortografia espera pois manifestações e aglomerações são os maiores ingredientes do chamado ascohumanitário, assim já se pondo em um grupo ou formando um. Porque, se algo por um acaso acontecesse e a moça das grandes nádegas resolvesse pensar e comprar um espelho mentira olhar dentro de sua cabeça, pode ser que percebesse que não faz parte de lugar nenhum ao mesmo tempo que ocupa lugar demais mas se alegraria em saber que em seu corpo podem residir mais ou menos o dobro de bactérias e microorganismos do que no corpo de uma pessoa normal que se orgulha de sua vantagem populacional com relação à criança ao cachorro e ao próprio ser unicelular que espera descobrirem alguém menor porque ser o menor de todos não lhe faz bem. Eu não me orgulho, eu não quero hospedar ninguém, ele também. Mas eu não estou esperando e estou observando o que não aumenta a minha dignidade mas não me vejo mais como menor de todos quando comprei um microscópio pude quase que ver a realidade por debaixo dos pêlos macios do sofá e me senti realmente como a mulher gorda diante de uma privada que a priva de satisfazer suas necessidades. Ele era o menor no momento, e antes disso. Se desconfiava na chula certeza de sua superioridade quase doentia com relação ao e o que lhe dava o direito de se enojar com as pessoas ao seu redor, com a humanidade, com os seus microorganismos que fizeram sua urina ficar cheirosa e forte e queimada e na verdade são nutrientes o que lhe dava a razão de se enojar com nutrientes? Eu lhe daria a razão de se enojar enquanto desiste de procurar a tampa de caneta no chão para não fazer papel de quem deixa escapar uma caneta pelas mãos porque não é algo que as pessoas se orgulhem ninguém gosta de deixar as coisas caírem mas todo mundo se importa com a atendente cuja caneta secou por causa da falta da tampa perdida porque o homem se sentiu superior. Mas isso é uma metonímia uma diversa metonímia porque a tampa era o que ele esperava mas assim ele se sentou e assim desistiu de procurar com os olhos antes que fosse notado com os olhos perdidos no chão procurando algo que talvez nunca tenha existido e isso não o impediu de perder o inexistente que o satisfazia por entre seus dedos, como a areia da praia que essa talvez exista mas nunca nas nossas mãos por muito tempo. Desistiu e esperou e agonizou e um quadro mal pintado na parede lhe chamava mais atenção do que as trocas rápidas de cena na cnn entre esportes um conflito armado desumano nos lados orientais da Europa e a previsão do tempo. Tomara que ela acerte, quero que faça bastante frio. Sentiu nojo ao sentir nojo do mundo e da humanidade grupal que o cercava e não quis mais esperar porque uma parede suja fazendo fundo para uma televisão inútil era o mesmo que a morte para ele. Quis ir embora, mas a tampa lhe parecia querer de volta. E foi assim, e não foi pra casa aquela noite. Foi para seu apartamento e quase não dormiu exceto por um pequeno lapso no seu tratamento antisono porque as revistinhas já não tinham graça nenhuma. A tampa era sua vida. Esperar por uma tampa que nunca virá lhe enojou.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
retratos
Hoje, me embriaguei na sua foto. Hoje, te desejei como um homem afogado deseja respirar.
Hoje, me olhei no espelho e você não estava lá. Hoje, me lembrei que não vivo sem você. Hoje, de novo e de novo e de novo, hoje,
Hoje, me olhei no espelho e você não estava lá. Hoje, me lembrei que não vivo sem você. Hoje, de novo e de novo e de novo, hoje,
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Ela.
Tomara que tudo dê certo, porque descubro cada vez mais que tenho ao meu lado a melhor pessoa desse mundo.
A melhor.
A melhor.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
andei ouvindo chet baker...
Eu me lembro de ontem à noite, então não venham me falar a respeito do que não sabem. Também não venham me falar a respeito do que sabem. Na verdade, nem se preocupem em falar comigo, já desisti de ouvir. O que eu não me lembro foi de quando eu acordei. Como e porquê também ainda são incógnitas que permeiam meu cérebro até os seus confins secretos e perdidos entre si mesmos, o pequeno labirinto preso dentro de seu semelhante. E eu à sua imagem me sinto preso aos meus semelhantes, e já me peguei fazendo perguntas aos sons da lua e à luz de um violão, e quando realmente alguém vai aparecer e quando realmente esse alguém vai ser aquele com quem eu posso ter uma relação realmente simbiótica? Sinto o brilho e me perco em tolas esperanças, como seria ser dependido por alguém? Eu dificilmente me apóio em mim mesmo nas não muitas difíceis decisões banais mas ainda difíceis que o mundo nos joga a cada dia ou semana ou sem o período definido, preciso de um remédio (que erro). E como posso desejar alguém que se apóie em mim enquanto vou estar me apoiando nessa mesma pessoa? Iríamos todos afundar e cada vez mais fundo e se eu não achar ninguém me afundarei do mesmo jeito mas pelo menos teria o remorso de carregar outro alguém para minhas profundezas escuras negras espirituais e dessentimentalizadas e com isso algo para me agarrar e me preocupar e prefiro viver em um estado de crise à essa alma catatônica que me ocupa e me preenche, que raro ser preenchido pelo vazio, o inespaço contornando as beiradas interiores até o centro do meu espaço, mas bem já fui visto por muitos olhos inclusive os meus próprios como um paradoxo dessacralizado e invisível senão por esses rabiscos que teimo em deixar na parede das pessoas com quem desejo me afundar... ou me salvar. Afinal, essas luzes. São policiais ou Las Vegas?
-etéreo e sonhante como um coma induzido por um coração devidamente aquecido posto debaixo de camadas e camadas de terra congelada e assim terminando o ciclo que eu procurava saída e me satisfiz com a conclusão de que essa que procuro é irreal mas prefiro ter a consciência de que vou congelar e paralisar (que erro) do que a fugaz esperança... perco, aunque só por mais uma vida.
(que erro)
-etéreo e sonhante como um coma induzido por um coração devidamente aquecido posto debaixo de camadas e camadas de terra congelada e assim terminando o ciclo que eu procurava saída e me satisfiz com a conclusão de que essa que procuro é irreal mas prefiro ter a consciência de que vou congelar e paralisar (que erro) do que a fugaz esperança... perco, aunque só por mais uma vida.
(que erro)
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
texto do meu caderno de caligrafia
Não sei se pode me olhar sem te conceber a idéia geral de um choro. Cada polegada dessa pele está recoberta com um disfarce para esconder as cicatrizes e as feridas que não cicatrizaram e não cicatrizarão; pois todo o sopro que foge é um motivo para me levar junto ao lugar nenhum aonde o silêncio e a harmonia absoluta reinarão e para lá que todos somos destinados quando tudo mais perder o que algum dia foi pensado ter, e é lá que conhecerão a nossa essência que se prender nos pequenos cantos escuros das veias turbulentas de uma cidade grande amarrotada com cheiro de grama e paradoxo de frio embora suando suado morto sozinho, na rua, na calçada, nos desníveis, na falta de interesse da perfeição suposta.
Por quê? Por quê você ou algo assim se torna tão impotentemente desinteressante?
... foi mais do que você jamais disse, jamais pensou, viu, ouviu, declarou em suspiros de amor e nata cor de rosa com morango. Três pontos e me viro com não dor não decepção não a alegria do final de uma ressaca ao banho na banheira com rum; mas apenas a comprovação do óbvio implícito durante toda a vida, durante todos as frases de letras pequenas no contrato imaginário de uma relação inexistente. E o que sobra? Nada, suas idéias, tudo se torna:
nada.
Com suas vestimentas de araque, 7782 poderia significar alegria, poderia ser minha vida, poderia. E me vejo tão desinteressante no espelho, e me pergunto qual foi o momento da desinteressação robusta e ando muito magro, mas não o suficiente para desaparecer. Se eu desaparecesse, iria me interessar mais na minha história. Se eu sofresse, se minha dor transparece pelas minhas entranhas e saísse do fundo dessa boca como um bafo de catarro durante dias sem uma partícula de pasta de dentre, imediatamente eu me consideraria um alguém mais importante. O que é esse desejo tão irreprimível por estar tão escondido como debaixo do porão de uma casa sem porão, tão inalcançável e por causa disso inalterável, de ter sempre a minha porta a sofreguidão, o interesse pelo desprezo amoroso, a vontade de sofrer com a sua perda, o motivo para passar fome. Todos somos assim, alguém já disse, isso é que nem amar mulher apenas linda. Todos temos de ter um quê de dor, uma ferida profunda escondida ou uma história por trás, todos mantemos nossas fundações sobre areia movediça para esperar poder reconstruí-las em certo momento depois de tudo desabar e do mundo acabar e do sentido aparecer por entre as lágrimas de sangue que brotam da alma, esperando sempre um bom terreno para o meu prédio de apartamentos em que guardarei para as decepções os dormitórios com vista leste, as alegrias terão a garagem... e me engano, e tudo cai novamente e sou um bebê; ora, é só isso. Por isso é tão branca e tão invisível, por isso seus interesses são como um barman que adiciona água à água e se faz um drink de água que derruba ao te entregar, por isso é o vazio que enche o copo, por isso me troco de vida ao me divertir do vazio e me iludir com a cicatriz igualmente vazia que o nada me largou no coração. Sou tão
Por quê? Por quê você ou algo assim se torna tão impotentemente desinteressante?
... foi mais do que você jamais disse, jamais pensou, viu, ouviu, declarou em suspiros de amor e nata cor de rosa com morango. Três pontos e me viro com não dor não decepção não a alegria do final de uma ressaca ao banho na banheira com rum; mas apenas a comprovação do óbvio implícito durante toda a vida, durante todos as frases de letras pequenas no contrato imaginário de uma relação inexistente. E o que sobra? Nada, suas idéias, tudo se torna:
nada.
Com suas vestimentas de araque, 7782 poderia significar alegria, poderia ser minha vida, poderia. E me vejo tão desinteressante no espelho, e me pergunto qual foi o momento da desinteressação robusta e ando muito magro, mas não o suficiente para desaparecer. Se eu desaparecesse, iria me interessar mais na minha história. Se eu sofresse, se minha dor transparece pelas minhas entranhas e saísse do fundo dessa boca como um bafo de catarro durante dias sem uma partícula de pasta de dentre, imediatamente eu me consideraria um alguém mais importante. O que é esse desejo tão irreprimível por estar tão escondido como debaixo do porão de uma casa sem porão, tão inalcançável e por causa disso inalterável, de ter sempre a minha porta a sofreguidão, o interesse pelo desprezo amoroso, a vontade de sofrer com a sua perda, o motivo para passar fome. Todos somos assim, alguém já disse, isso é que nem amar mulher apenas linda. Todos temos de ter um quê de dor, uma ferida profunda escondida ou uma história por trás, todos mantemos nossas fundações sobre areia movediça para esperar poder reconstruí-las em certo momento depois de tudo desabar e do mundo acabar e do sentido aparecer por entre as lágrimas de sangue que brotam da alma, esperando sempre um bom terreno para o meu prédio de apartamentos em que guardarei para as decepções os dormitórios com vista leste, as alegrias terão a garagem... e me engano, e tudo cai novamente e sou um bebê; ora, é só isso. Por isso é tão branca e tão invisível, por isso seus interesses são como um barman que adiciona água à água e se faz um drink de água que derruba ao te entregar, por isso é o vazio que enche o copo, por isso me troco de vida ao me divertir do vazio e me iludir com a cicatriz igualmente vazia que o nada me largou no coração. Sou tão
domingo, 11 de janeiro de 2009
“Apesar”. “Apesar de apesares, ainda mantenho meus pesares mais próximos e mais importantes.”
Apesar deveria ser a palavra mais usada em todas as línguas, even though, aunque, ou qualquer outra língua que essa cabeça nunca aprendeu e provavelmente nunca vencerá a preguiça para conseguir aprender. “apesar de querer aprender, a preguiça o mina em cada atitude ou decisão que toma em sua vida, e essa não é exceção” apesar de tudo, consigo esboçar um sorriso de vez em quando, quando te vejo, quando me esqueço que existo. Saco.
Nunca sei como começar coisas, então comecei esse blog como se ele não estivesse começando agora e como se essa não fosse a sua primeira postagem, e ao escrever esse trecho estou me contradizendo e começando algo. Bem, tomara.
Apesar deveria ser a palavra mais usada em todas as línguas, even though, aunque, ou qualquer outra língua que essa cabeça nunca aprendeu e provavelmente nunca vencerá a preguiça para conseguir aprender. “apesar de querer aprender, a preguiça o mina em cada atitude ou decisão que toma em sua vida, e essa não é exceção” apesar de tudo, consigo esboçar um sorriso de vez em quando, quando te vejo, quando me esqueço que existo. Saco.
Nunca sei como começar coisas, então comecei esse blog como se ele não estivesse começando agora e como se essa não fosse a sua primeira postagem, e ao escrever esse trecho estou me contradizendo e começando algo. Bem, tomara.
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