terça-feira, 7 de abril de 2009
Azombrio
Percebi outro dia mesmo, dia de ontem eterno na minha cabeça, que quando criança sempre tive medo do escuro, do que ele escondia ou talvez de como ele nada escondia e apenas mentia para mim, e dessa maneira sempre evitei corredores escuros e segurava o mijo o máximo possível antes de criar coragem e correr através de escadas mirabolantes e enevoadas em breu para o meu abrigo seguro, luminoso e com uma privada. Estava no meio da noite sozinho, quando sentiu-se em mim o mesmo medo palpável e acanhado de anos atrás. O escuro se lembrou de que eu nunca perdi o medo, apenas tive que suportá-lo para poder aproveitar os poucos momentos escuros e solitários que me sobram depois de uma totalidade de visões impossíveis na luz de um dia, para assim afugentar a realidade sórdida e a tristeza estampada claramente nas faces que vi nesse dia e assim esquecer quem eu fui para me perder no doce medo do mistério e abrir as cortinas da janela da escuridão, tão mas tão mais suportável do que o efeito que não se esvai do contato com vidas demais cravado à ferro em minha pele de espuma.
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Cacete muito bom!
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