quarta-feira, 29 de abril de 2009

Fora de mim.

Não posso mais ser estático
como pude ser estático,
isso é paralisia?

E esperando pelas curvas
que ainda não foram avistadas
no céu, nas nuvens, na única estrela dessa noite

de quando tudo já se foi
e na minha ressaca de espírito e corpo
não há nada mais que não se enfureça
nada mais que não se turve
é chuva, é tempestade

antes que ela me chacoalhe
eu quero ser ela também
e talvez, ela queira me ser

ela disse que não,
eu não me molhei,
eu não sou tempestade,
você me sacuda toda manha
para que eu esqueça
que sou apenas poeira
sou apenas aspirado quando venta

e massacrado quando ouço
queimado como um carvão no fogo
e o peso nas costas
não ajuda na tempestade
quando serei
ela é tempestade.

mas a tempestade é maior

mas em mim não é
é maior apenas para quem se sujeita
a ser digno
a falar sobre o futuro com certeza
a falar algo.

sou estático demais para falar
mesmo quando as palavras cravam
é impossível,

é paralisia,
não sou de tempestade.

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