segunda-feira, 24 de agosto de 2009

À Incoerência Humana

Não se satisfaz facilmente,
um sorriso não basta
deseja profundidade
preencher o oco que sente
que deveria sentir

Pensa em bases,
se imagina metafóricamente
procura suas origens
e busca fundamento,
se afirma como senciente
e respeitoso aos semelhantes

E não se satisfaz facilmente.
Desconfia dos instintos,
destrata elogios e idealiza elogios
no espelho, um amontoado quase perfeito,
quase que fedido,
quase cerebral ou orgulhoso,
quase que um amontoado por inteiro

Mas, afinal, deve haver algo mais
que eu não sou e pressinto,
que, conectado com a amplitude universal,
trangrido minha essência manchada
e me vejo imparcial flutuando através
sou a modernidade,
cinza-metálico, parda, colorida e fosco-brilhante
o amálgama da dissimulação tecno-confuciana
sou o oriente e o ocidente,
o destino de todos os traços históricos e antropológicos
que convergiram, em serenidade,
sorrateira e imperceptívelmente,
neste corpo máximo de possibilidades estratosféricas
sim, a apoteose do transcedentalismo humano!
afinal, sou a modernidade

Quase que perfeito.
Sorrio quando quero,
só não quero muito.
E isso porque não me satisfaço facilmente.
Débil e contraditório,
ao menos carrego no âmago a certeza
de que sou muito mais que sou na verdade,
e obedeço à metafísica da situação
me digo pequeno e cor de bosta,
sou a modernidade.

E adoro minha casa de espelhos.

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