quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Diáfano

Era um titereiro e era um titereiro que chorava
brincava sobre as cabeças maciças
de bonecos em cabelos de s
e derramava seu sangue em cada teclada
do piano humano de madeira

Era uma história e era uma quase que interminável,
a história
repetiu-se pela Eternidade,
ecoou mais além Dela e da vida e translúcido,
através das máscaras e dos sentimentos,
pela rampa de deficientes e becos de água suja
e é a história do sempre, inigualável
em sua repetição e equivalência concomitante
que é o reflexo

E por detrás das cortinas e dos cachorros de bolsões,
crianças esperavam seu pais que choravam suas mortes
vendo a cama arrumada e vazia
e as proles animais de instintos secretos desoladas no entardecer e a iluminação do poste
e foi inédito
a desamparo da solitude
e todos os seus animais rugiram com o choro de mil pessoas
no piano trágico e azul e que se repete indefinidamente
por sua beleza tão notável
que se expande sem procurar se justificar

E cada hora tomava o espaço de quatorze pessoas e
cincuenta de trabalhadores vermelhos em suas
repartições
o céu
que brilhou roxo pelo alvorecer do mundo de tempo que acredita ser tempo
até o término e o fechar da embriaguez
e suas passadas se tornaram incongruentes
e sua síncope enlouqueceu o andar da sociedade
que se voltou aos muros e com as cabeças
fizeram ruir todas as estruturas e suas bases
apenas para se afundarem
sobre as lágrimas do pianista de madeira
e concreto.

Um comentário: