sexta-feira, 23 de abril de 2010

Outra coisa que seja

Eu suei minha espontaneidade
toda
Meu corpo não é mais de fumaça,
oras!
Que era que ser, se não fosse assim?

Eu acho que essa distinção
entre eu
E entre todos vocês,
e entre tudo que não é vocês
Enterra fundo, anoitece, asfixia
essas centelhas de amor natimorto

Pô.
Não fosse assim, que era que ser?
Qualquer coisa
outra.
Esse mar congelado,
sem martelo sem picareta,
sem falta sem compromisso,
que divide e extingue,
sem pedir perdão.

Tantas palavras que seriam!
E seriam!
E nunca sairão desse claustro
desse futuro do pretérito que não foi!

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