Qual peso é maior?
o que é intangível que temos, enfim,
de resignarmos-nos, sempre, no fim?
É assumir? Como tal,
como gente, como um holocausto que vem de dentro
?
É essa vergonha de ser humano?
A vergonha ao nascer, a vergonha do amar,
a vergonha do desprezo, a vergonha do seu jeito,
a vergonha vertendo lágrimas envergonhadas à morte?
Quanta vergonha há em envergonhar-se...
Ou é a distância?
Remexendo, modelando, endurecendo,
o nosso barro divino
toma forma num processo assombrado no qual nada opinamos
E esse amor!
Amor processual, amor casual, amor de vinte léguas arrefecidas
de gelo
(o meu pai que fez a Copa de 70 ser brasileira,
segurando uma bola na cabeça no primeiro gol nosso,
tirando-a apenas para ver gol adversário;
prudente, recolocou-a no cocoruto e assim,
assegurou a vitória)
segunda-feira, 28 de junho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
que pobre condição
o sangue, o jorro,
o gozo,
profundo arrebatamento,
o que senão digressões do jugo incoercível
dessa pobre condição
pobre pobre,
todo esse coração e o desejo
e o desespero
mas só falta mais um falta mais um passo
o maldito,
o desgraçado passo:
é sempre mais rápido que posso
sempre irrefreável
que pode?
o sangue, o jorro,
o gozo,
profundo arrebatamento,
o que senão digressões do jugo incoercível
dessa pobre condição
pobre pobre,
todo esse coração e o desejo
e o desespero
mas só falta mais um falta mais um passo
o maldito,
o desgraçado passo:
é sempre mais rápido que posso
sempre irrefreável
que pode?
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