sábado, 22 de janeiro de 2011

Quando só não me escuto. Não estreita o peito sob os passeios, não engasga a garganta sem engolir, não soergue o abdômen convulso.
O palpável perde ao tato.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Fantasia não é paz.
Sentar-se não é paz.
Admitir não é paz.
Mentir não é paz.
Levantar-se, pois, nunca será paz.

Querer não é paz.
Conseguir não é paz.
Fechar-se não é paz.
Fechar não é paz.
Ar não é paz.
Umidade não é paz.
Carros não fazem paz.
Maçãs também nunca a fizeram.

Ter não é paz.
Não ter não é paz.
Alegria não é paz.
Abrir-se não é paz.
Liberdade não é paz.
Fumaça não é paz.
Erosão não é paz.
Vozes não são paz.
Silêncio não é paz.

A estrela d'alva não é paz.
Tristeza não é paz.

Não saber o que dizer não é paz.
Ter muito o que dizer não é paz.
Dizer a coisa certa também não.
A coisa certa não é paz,
porque um momento não pode ser paz.

Paz não diz, mas paz não cala.
Não suscita epopeias, mas inflama discursos.
Não marca iniciais, mas estranha as tais marcas.
Não inicia, mas termina a cada instante.